Projeto de horta pedagógica de Heliópolis (SP) vence Desafio 2030
A horta pedagógica da Escola Técnica Estadual (ETEC) Heliópolis, em São Paulo, batizada de Imira Ci, termo que significa planta-mãe, em tupi-guarani, foi a vencedora na categoria Ensino Técnico do prêmio Desafio 2030.
Quem se aproxima da área destinada ao cultivo pode ver ora-pro-nobis, peixinho, taioba, sálvia, cúrcuma, espinafre japonês e manjericões de diversos tipos: zaatar, limão e roxo.
A unidade do Centro Paula Souza (autarquia estadual que administra faculdades de tecnologia e escolas técnicas estaduais) apresentou o projeto da horta que vem sendo desenvolvido na escola. Trabalhos das ETECs Professor Aprígio Gonzaga (capital) e Francisco Morato (região metropolitana) também chegaram à etapa final na categoria ensino técnico.
O desafio 2030 é organizado pelo Akatu, Instituto 5 Elementos – Educação para a Sustentabilidade, Reconectta – Educação e sustentabilidade para um mundo melhor e Virada Sustentável.
A competição tem como proposta reconhecer o trabalho desenvolvido nas instituições de educação básica, por meio de projetos transformadores ligados aos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável criados pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O espaço foi preparado pelos alunos com a ajuda de uma empresa que assessorou com a parte técnica, ferramentas e substratos. Já os canteiros foram construídos pelos alunos do curso de Edificações da mesma ETEC.
“Foi um trabalho intercurso e interdisciplinar. No local, junto à horta, ainda tem um lago ornamental que está sendo construído pelo pessoal de Edificações. E ainda temos nossos anseios, que é colocar uma colmeia de abelhas nativas (sem ferrões) junto com as flores para as abelhas fazerem a polinização. O espaço é para essas amostras pedagógicas, para a criança ir lá e aprender, tudo é um ciclo de aprendizagem”, explica a professora Marisa Ferreira de Lima, que coordena a iniciativa.
A horta é coletiva e tem diversos usos. Os alunos do curso técnico de Nutrição e Dietética, por exemplo, aproveitam os produtos da horta para compor os pratos desenvolvidos nas aulas práticas. Por isso, crianças que estudam nas escolas municipais do entorno visitam o local para aprender sobre a terra e seus frutos.
O Centro Educacional Unificado (CEU), que compartilha o espaço com a ETEC, ofereceu aos seus frequentadores uma oficina de chás e bebidas aromáticas. “Aprendi muito com a horta e pude ver como ela mexe com as pessoas”, diz a professora Marisa.
Ela conta que os vizinhos que gostam de plantas acenam da rua e elogiam o plantio. “As pessoas que passam aqui em frente ficam muito curiosas, então a gente orienta como colher e quem vem de fora também traz conhecimento para a gente, além de mudas para a horta. Não temos uma produção em grande escala, até porque não temos capacidade para isso, mas os experimentos são muito especiais porque é um palco pedagógico”, disse a professora.
Foi nesse palco pedagógico que a estudante do 3º ano do curso técnico de Nutrição e Dietética Esther Lopes dos Santos, de 17 anos, aprendeu a apreciar a terra. “Quando a horta chegou aqui na escola, eu estava começando a mexer com plantas na minha casa e estava achando sensacional. Nessa época ficamos encarregados de cuidar da horta e essa parte foi a mais especial, porque era um momento onde parávamos toda a nossa correria, colocávamos o pé e a mão na terra, regávamos e cuidávamos da horta”, conta Esther.
Para a estudante, trabalhar com a terra é uma troca. “A gente dá o nosso tempo, o nosso carinho, e hoje a horta nos dá o alimento para gente trabalhar na aula prática. É um momento de refúgio, um lugar para gente poder ter contato com a natureza”, descreveu com entusiasmo.
Colega de Esther, a estudante Anamary Leopoldina da Silva, 17 anos, do 3º ano, considera a prática excepcional. “Minha experiência com a horta foi incrível porque eu vi a horta surgir, vi a primeira alface nascer! Fiz o Projeto de Apoio e Orientação Educacional usando a horta, trouxemos crianças que não conheciam e não tinham contato com a horta para poder conhecer esse mundo, algo além do que elas imaginam”. Segundo a estudante, no projeto também foi desenvolvido uma música e um livreto para explicar às crianças, de forma lúdica, sobre o funcionamento da horta.
Assim como Esther, o estudante Rodrigo Gonçalves Henriques, 17 anos, do 2º ano, disse que trabalhar com terra foi a parte mais interessante do projeto. “Minha experiência com a horta foi bem interessante, porque eu gosto muito de mexer com a terra e quando se mora em São Paulo não tem muito disso. É interessante também mostrar isso para outros alunos que nunca tiveram a experiência de poder plantar, colher, e ver se transformando”.
Da horta para a mesa
Da horta, as hortaliças seguem para a cozinha do curso técnico de Nutrição e Dietética onde os alunos desenvolvem receitas com os alimentos como, por exemplo, a tortinha integral recheada com taioba e o patê de cenoura com os talos do legume, cebolinha e manjericão. Os diversos tipos de manjericão também vão para o molho de tomate e para a água saborizada de limão e ervas aromáticas.
Essa experiência na horta ofertou o conhecimento que a estudante Natália Silva Camilo Rosa, 18 anos, do 2º ano, levou para a cozinha. “O estudo mais importante foi dos nutrientes, como cenoura, que é rica em vitamina A, as folhas verdes, como o espinafre japonês, que temos na horta, que é rico em ferro. Essa foi a nossa pesquisa, saber mais dos nutrientes dela”.
Além da horta, unidade também desenvolve outras ações ligadas à sustentabilidade: armazena e usa água da chuva, conta com ecoponto para descarte correto de lixo e em breve terá uma composteira, para que resíduos orgânicos se transformem em adubo.
O prêmio
O prêmio “Desafio 2030 – escolas transformando nosso mundo” tem como propósito reconhecer o trabalho desenvolvido nas instituições de ensino básico, por meio de projetos transformadores ligados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
“Ganhar o prêmio é um reconhecimento de tanto de que a gente sofreu para o projeto ir para frente, para as coisas darem certo e é uma felicidade muito grande porque é para os meus alunos. E também pelo fato de a horta ser sustentável, de uso comum de todos, principalmente dos alunos”, completou a professora Marisa Ferreira de Lima.
Nas três edições realizadas, o prêmio foi direcionado a todas as escolas públicas e particulares de Educação Infantil, Ensino Fundamental 1 e 2, Ensino de Jovens e Adultos, Ensino Médio e Ensino Técnico da Grande São Paulo, havendo possibilidade de expansão nas próximas edições.
A agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável
Em setembro de 2015, representantes dos 193 estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniram em Nova York e reconheceram que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável.
Ao adotarem o documento Transformando o Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, os países comprometeram-se a tomar medidas ousadas e transformadoras para promover o desenvolvimento sustentável nos próximos 15 anos sem deixar ninguém para trás.
A agenda 2030 é um plano que indica 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas para erradicar a pobreza e promover vida digna para todos, dentro dos limites do planeta.
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