Não precisamos cortar árvore na Amazônia para elevar produção, diz Pedro Parante, da BRF
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A crise com o desmatamento na Amazônia, que fez algumas empresas anunciarem restrições temporárias ao couro do Brasil, preocupa a indústria de carne, mas salvo alguma ação externa “radical”, a BRF não espera ser atingida, afirmou Pedro Parente, presidente do conselho de administração da companhia, nesta segunda-feira (9).
Ele ressaltou a necessidade de o Brasil mostrar que é capaz de cuidar da Amazônia, e disse que não é preciso desmatar mais para atender à demanda do agronegócio.
“Existem extensões que já estão desmatadas. Não é preciso cortar uma árvore da Amazônia para aumentar a produção e a participação do país como um celeiro importante no mundo”, disse, durante evento da revista Exame, onde dividiu o palco com Frederico Trajano, presidente da Magazine Luiza.
“Há 200 milhões de hectares de pasto, um pouco menos do que isso, que podem ser transformados. Temos uma pecuária muito extensiva, que pode ser mais intensiva. Não há razão para não querer preservar a Amazônia.”
O presidente do conselho também comemorou a habilitação, nesta segunda, de duas plantas da BRF aptas a exportar à China. Marfrig e Minerva também estão no pacote.
Já o presidente da Magazine Luiza defendeu o protagonismo da iniciativa privada na defesa pela Amazônia. A marca está abrindo lojas em Mato Grosso e no Pará, duas áreas afetadas pelo desmatamento e pelas queimadas.
“Quem desmata é a iniciativa privada, o governo fiscaliza. Não dá para colocar 100% da responsabilidade no governo”, disse.
Ele afirma que a Magalu está realizando um mapeamento de todos os moveleiros para comprar produtos apenas de locais não desmatados.
Os dois empresários comemoraram o momento da economia, com a aprovação da reforma da Previdência e a expectativa em torno da reforma tributária. Parente, no entanto, afirmou que os sinais como o crescimento do PIB e a leve queda do desemprego são de “intensidade pequena” para a retomada. O executivo citou a saída de capital estrangeiro da bolsa, mas ressaltou o bom momento dos unicórnios, startups que atingem o valor de mercado superior a US$ 1 bilhão.
Ele defendeu mais consistência do governo e de seus ministérios.
“É preciso consistência não apenas na área econômica, mas consistência no governo, para não ter grau de incerteza que impeça investimentos”, afirmou. Segundo ele, o governo precisa dar sinais claros em torno da “convicção ao rumo traçado” e não deve “gerar fatos que vão na direção contrária”, sem mencionar que fatos são esses. “Não vou entrar em detalhes”, disse.
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