Zebras somem da Copa do Brasil, agora dominada pelos grandes
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Criada há 30 anos, a Copa do Brasil foi responsável por algumas das maiores zebras da história do futebol brasileiro.
O Palmeiras foi campeão três vezes (1998, 2012 e 2015) mas até hoje tem a lembrança da eliminação para o ASA de Arapiraca na primeira fase de 2002. Com 72 mil pessoas no Maracanã, o Santo André venceu o Flamengo por 2 a 0 e foi campeão em 2004.
As surpresas desapareceram da competição nas últimas temporadas. A última vez que times fora da lista de favoritos chegaram às semifinais aconteceu em 2011. Ceará e Avaí foram eliminados nessa fase.
Nesta quarta-feira (11), Athletico-PR e Internacional começam a decidir o título de 2019. A primeira partida será na Arena da Baixada. A volta está marcada para o próximo dia 18, no Beira-Rio.
“A Copa do Brasil foi o torneio que mudou a minha carreira. Não apenas a minha, mas de outros atletas que estavam em equipes de menor expressão. Eu fui campeão da Libertadores e do Mundial com o Inter, mas a conquista da Copa pelo Paulista foi algo muito especial na minha vida”, afirma o ex-meia-atacante Léo.
Ele se projetou no futebol como um dos principais nomes do clube de Jundiaí, que surpreendeu o futebol nacional ao derrotar o Fluminense na decisão da Copa do Brasil de 2005. Foi um dos resultados mais inesperados da história do torneio.
Uma zebra não chega à final desde 2007, ano em que o Figueirense caiu diante do mesmo Fluminense. Marcou também o término de um período de seis anos em que, a cada Copa do Brasil, uma equipe que não estava no radar da imprensa e de torcedores tinha desempenho histórico.
Em 2002, o até então desconhecido Brasiliense disputou a decisão contra o Corinthians. Foi derrotado por 2 a 1 no primeiro jogo no Morumbi, com arbitragem polêmica de Carlos Eugênio Simon. O juiz não deu um pênalti para o clube do Distrito Federal e validou o segundo gol paulista, em que houve falta do atacante Deivid antes da finalização.
“Foi o momento em que o país todo descobriu o Brasiliense e também nós, jogadores, tivemos uma valorização muito boa. Era torneio diferente para as equipes pequenas, onde era possível se destacar e aparecer”, diz Wellington Dias, atacante do Brasiliense na ocasião.
A equipe do Distrito Federal era sustentada pelo então senador Luiz Estevão, hoje preso por corrupção.
Tornou-se mais difícil o aparecimento de zebras a partir do momento em que a premiação cresceu. Hoje a Copa do Brasil é o torneio nacional mais lucrativo para os clubes que a disputam. O campeão deste ano ganhará cerca de R$ 70 milhões.
A premiação está próxima da paga pela Libertadores, a competição mais importantes para os grandes times brasileiros. O vencedor continental deste ano receberá cerca de R$ 80 milhões.
Clubes que há 15 anos poderiam sonhar com uma grande campanha dentro de campo, mas sabem que isso é quase impossível atualmente, se contentam apenas em participar. Estar na primeira fase garante receita de pelo menos R$ 500 mil.
“O campeão da Copa Paulista tem o direito de escolher jogar a Série D ou a Copa do Brasil. A Série D faz com que o time tenha divisão nacional para jogar, o que é importante. Mas não se compara ao dinheiro que a Copa do Brasil proporciona. Dá para garantir o ano”, afirma o presidente da Portuguesa, Alexandre Barros.
Zebras da história da Copa do Brasil projetaram futuros técnicos da seleção brasileira. Mano Menezes se tornou conhecido com a campanha do pequeno XV de Novembro de Campo Bom, do Rio Grande do Sul, semifinalista em 2004. Luiz Felipe Scolari conquistou o primeiro título de expressão da carreira ao surpreender o Grêmio na final de 1991 e fazer do Criciúma campeão.
O Ceará também poderia ter feito o mesmo com o Grêmio na final de 1994, mas perdeu no antigo estádio Olímpico por 1 a 0, em partida em que o ex-árbitro Oscar Roberto de Godoi ignorou os pedidos de pênalti do time cearense durante o segundo tempo. O empate em 1 a 1 daria o título aos visitantes. Naquele ano, o Linhares, do Espírito Santo, chegou às semifinais.
Em 1999, o Juventude empatou em 0 a 0 com o Botafogo no Maracanã e foi campeão.
Entre as principais zebras da história da Copa do Brasil, o clube de Caxias do Sul é o único que continua participando do torneio com regularidade. Neste ano, caiu nas oitavas de final.
O Paulista de Jundiaí vive das lembranças do título de 2005 e hoje em dia está na quarta e último patamar do futebol estadual.
O Santo André também está sem divisão nacional, mas disputará a elite do Paulista em 2020. O Brasiliense jogou a Copa do Brasil deste ano e foi eliminado na primeira fase pelo CRB. O XV de Campo Bom encerrou as atividades do futebol profissional em 2015.
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