Sepultura celebra volta de ‘dia do metal’ com show animado no Rock in Rio
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O Sepultura é arroz de festa do Rock in Rio. Desde que o festival voltou a ser realizado no Brasil, em 2011, eles só ficaram de fora da edição de 2015, chegando à quarta participação no festival apenas nesta década.
No fim de tarde desta sexta (4), o quarteto brasileiro se aproveitou do fim de tarde, com o sol se pondo logo atrás do palco Mundo. A plateia já era bastante numerosa, ainda que o movimento de pessoas chegando fosse grande no Parque Olímpico do Rio de Janeiro.
No Rock in Rio, o Sepultura encerra o ciclo do disco “Machine Messiah”, de 2017. Até por isso, o setlist privilegiou músicas antigas e mais conhecidas.
A dobradinha do começo, “Arise” e “Territory”, dos anos 1990, ambientou a plateia com o thrash direto, que quase dispensa a melodia, do grupo. Na terceira faixa, o público já gritava o nome da banda com as mãos levantadas.
Até as músicas da fase Derrick Green -vocalista da banda desde 1997, a partir da saída do fundador Max Cavalera- foram as mais antigas. Entre elas estiveram “Choke” e “Angel”, lançadas entre o fim dos anos 1990 e começo dos 2000.
As únicas novas foram “Phantom Self”, do último disco do quarteto, e “Isolation”, ainda inédita. A música estará no próximo álbum do Sepultura, a ser lançado no ano que vem.
Naturalmente, o apelo do show foi maior. Na pedrada “Inner Self”, pérola do primeiro disco da banda por uma grande gravadora (“Beneath the Remains”, de 1989, o primeiro pela Roadrunner Records), as rodinhas de bate-cabeça já chegavam até o público mais distante.
O guitarrista e líder do Sepultura, Andreas Kisser celebrou a volta do “dia do metal”, ausente no último Rock in Rio. “Com todo respeito aos outros dias, mas metal é foda”, gritou.
André Matos, ex-vocalista do Angra, morto no último mês de junho, foi lembrado. “Vamos prestar uma homenagem a esse pioneiro e ícone do metal brasileiro”, disse Kisser, antes de puxar um breve trecho de “Carry On”, do Angra. Outra faixa da sequência foi “Refuse/Resist”, com letra sobre violência policial e que cita uma “guerra criada pelo Estado”.
O ápice foi o encerramento, com “Ratamahatta” e “Roots”, de “Roots”, o influente disco que une o metal agressivo à percussão brasileira.
Existe uma relação de orgulho do brasileiro em relação ao Sepultura, a nossa banda de heavy metal mais bem-sucedida de todos os tempos. A cada novo Rock in Rio, contudo, a sensação é de que o quarteto depende cada vez mais do passado para causar comoção.
A maior prova é que “Inner Self”, uma faixa não muito conhecida de 1989 teve recepção mais calorosa que o single “Phantom Self”, de três anos atrás.
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