Ginger Baker, baterista da banda Cream, morre aos 80 anos
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Ginger Baker, um dos bateristas mais notórios de sua geração, morreu aos 80 anos na manhã deste domingo (6). O anúncio foi feito por sua família, que não divulgou a causa. Ele estava internado em estado grave havia algumas semanas.
Em 1966, Baker conheceu Eric Clapton e, junto ao baixista Jack Bruce, formaram a banda Cream, que mesclava blues, rock psicodélico e hard rock. Os três eram reconhecidamente talentosos e já faziam sucesso em carreiras solo e outras bandas. Por isso, o Cream é considerado a primeira “superbanda” da música.
Baker foi um dos melhores instrumentistas de seu tempo. Sua forma de tocar equilibrava intensidade e precisão técnica. Uma de suas grandes inovações foi introduzir o uso do bumbo duplo e instrumentos variados de percussão, extrapolando as convenções para bateristas de rock.
Inspirado por bateristas de jazz como Louie Bellson e Elvin Jones, Baker tocava com um estilo “extrovertido, primitivo, inventivo”, como descreveu Neil Pearl, da banda Rush.
Para Pearl, foi Baker quem definiu os parâmetros para todos os bateristas que o seguiram e expandiu os horizontes do instrumento.
Sua energia quando tocava, com os cabelos cor de fogo e movimentos rápidos, fizeram Baker se destacar. Assim como seu temperamento, apontado por Eric Clapton como um dos motivos para o fim do Cream, em novembro de 1968.
Na década de 1970, após o fim do trio, Baker mudou-se para Lagos, na Nigéria, para estudar novas técnicas de percussão. Lá, conheceu o pioneiro do afrobeat, Fela Kuti, com quem lançou um álbum. Sua carreira, que de fato começou com solos de jazz, nunca perdeu o gênero de vista. “Eu sou um baterista de jazz”, declarou Baker ao jornal The Telegraph, em 2003. Baker levou essa influência para todos os seus trabalhos.
O baixista Jack Bruce publicou em seu Twitter que Baker “era como um irmão mais velho”. A rivalidade entre eles na época do Cream foi acentuada. Clapton chegou a relatar que uma vez, durante um show, parou de tocar sua guitarra, o que nem Baker nem Bruce perceberam, pois competiam pela atenção. Foi nesse momento que constataram que a banda chegaria ao fim.
Em sua homenagem, o baixista lembrou que a química entre eles era espetacular e “sobreviveu à sua relação de amor e ódio”. “Descanse em paz, Ginger, um dos maiores bateristas de todos os tempos.”
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