Petrobras reduz combustíveis em 3%; diesel acumula queda de 10% no ano
Por Marta Nogueira
RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Petrobras reduzirá o preço médio da gasolina e do diesel em 3% nas refinarias a partir de sexta-feira, informou a companhia à Reuters após ser consultada, diante de um recuo das cotações de petróleo, que têm sido impactadas por perspectivas de que o novo coronavírus afete a demanda pela commodity.
Na semana passada, a empresa já havia informado corte de 1,5% no valor da gasolina e de 4,1% no diesel.
Tais reduções marcam a terceira vez em que a estatal reduz os preços neste ano.
Em 14 de janeiro, a Petrobras também havia diminuído em 3% os valores médios do diesel e da gasolina.
“A redução dos preços da Petrobras era esperada. O coronavírus afetou a demanda mundial de petróleo e de seus derivados e provocou um aumento nos estoques que provocou a redução das cotações dos derivados, incluindo a gasolina e o óleo diesel”, disse o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo.
“Apesar da elevação da cotação do dólar, a paridade de importação para os dois produtos caiu e a Petrobras está, rapidamente, acompanhando os preços internacionais.”
Após os recuos, o preço médio do diesel da Petrobras atingirá na sexta-feira cerca de 2,10 reais por litro na refinaria, acumulando queda de aproximadamente 10% neste ano, segundo cálculos da Reuters a partir de dados compilados da empresa.
Já a gasolina da Petrobras registrará média de cerca de 1,77 real por litro, com recuo acumulado de aproximadamente 7% no ano até agora.
A petroleira estatal tem reiterado que sua política para ambos os combustíveis segue o princípio da paridade de importação, que leva em conta preços no mercado internacional mais os custos de importadores, como transporte e taxas portuárias, com impacto também do câmbio.
Apesar do recuo acentuado dos preços nas refinarias, os postos de combustíveis não têm refletido a contração ainda.
O preço médio da gasolina nas bombas sofreu uma alta acumulada de 0,8% neste ano, enquanto o do diesel avançou 0,5%, segundo cálculos da Reuters a partir de dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O repasse dos ajustes de preço nas refinarias para o consumidor final nos postos não é imediato e depende de diversos fatores, como consumo de estoques, impostos, margens de distribuição e revenda e mistura de biocombustíveis.
PREVISÃO DE NOVOS RECUOS
O chefe da área de óleo e gás da consultoria INTL FCStone, Thadeu Silva, avaliou não haver grande perspectiva de mudança de cenário no momento, uma vez que a China –segundo maior consumidor global de petróleo– limitou a circulação de grande quantidade de pessoas.
Além disso, como prevenção, viagens ao país asiático têm sido evitadas. No Brasil, por exemplo, as gigantes Vale e Petrobras suspenderam voos de negócios para a China.
“Petróleo é mobilidade, a demanda dele depende de mobilidade… tudo que está cortando de viagens aéreas, locomoção de carros… é uma queda absurda do consumo chinês”, disse Silva, destacando que a China é o principal responsável pelo crescimento da demanda por petróleo.
“O reajuste da Petrobras está em consonância com esse movimento de queda e, como o mercado ainda continua caindo, a gente já com paridade com o mercado internacional, pode ver novas quedas pela frente no preço”, completou.
Nesta quinta-feira, a Arábia Saudita abriu uma discussão sobre uma possível antecipação da próxima reunião política da Opep+ de março para o início de fevereiro, disseram quatro fontes da Opep+ à Reuters, depois que a queda nos preços do petróleo alarmou Riad.
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