Coronavírus atrasa instalação de nova plataforma no campo de Peregrino da Equinor, dizem fontes
Por Gram Slattery
RIO DE JANEIRO (Reuters) – As atividades para a segunda fase de desenvolvimento do campo de Peregrino, da Equinor, na Bacia de Campos, foram atrasadas em aproximadamente dois meses, segundo duas fontes com conhecimento do assunto, diante de dificuldades logísticas relacionadas ao novo coronavírus na indústria de petróleo marítima do país.
Peregrino é a maior operação marítima da Equinor fora da Noruega e atualmente produz de 70 mil a 80 mil barris por dia de petróleo, de acordo com o site da empresa.
Atualmente, Peregrino é composto por duas plataformas de petróleo fixas, acopladas a uma unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo (FPSO, na sigla em inglês).
Como parte do projeto de expansão de Peregrino, a Equinor está atualmente instalando uma terceira plataforma de petróleo, que adicionará 273 milhões de barris de reservas recuperáveis aos 400 milhões que Peregrino possui. A Equinor disse que planeja produzir o primeiro petróleo na unidade no fim do ano.
No entanto, duas fontes com conhecimento da construção, que receberam anonimato para falar sobre o tema, disseram que certas operações de trabalho intensivo estavam sendo adiadas devido às medidas de distanciamento social adotadas pela empresa.
Uma fonte estimou que o processo de conexão da nova plataforma ao FPSO, um passo vital, estava sendo adiado em aproximadamente dois meses.
Em comunicado, a Equinor reconheceu que havia feito ajustes em suas operações devido ao novo coronavírus, mas afirmou que era prematuro determinar seus efeitos no cronograma de instalação.
“A primeira prioridade da Equinor é garantir a segurança de nossos funcionários e fornecedores que trabalham para nós”, escreveu o porta-voz da Equinor Erik Haaland, em um email.
“As atividades de conclusão offshore continuam na plataforma C, mas a tripulação foi reduzida como medida preventiva para reduzir o risco de disseminação do vírus. É muito cedo para concluir os efeitos disso no cronograma.”
O coronavírus surgiu como uma preocupação significativa para a indústria de petróleo offshore do Brasil.
Como em outras partes do mundo, as principais empresas de petróleo estão instituindo quarentenas obrigatórias e programas de monitoramento para os funcionários antes de embarcar, e as empresas estenderam amplamente os turnos marítimos em uma a duas semanas para diminuir a rotatividade de pessoal. Muitas atividades de manutenção não essenciais foram adiadas.
Na terça-feira à noite, a agência reguladora nacional de petróleo ANP informou que o Brasil já registrou 126 casos confirmados de Covid-19 em empresas de exploração e produção de petróleo e gás, sendo que 74 desses profissionais acessaram instalações marítimas de perfuração e produção.
Há ainda outros 897 casos suspeitos em investigação, de acordo com a autarquia, que evitou dar detalhes sobre os profissionais e as empresas envolvidas.
(Por Gram Slattery)
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