Com filas em alta, Pará recorre a médicos cubanos
Com filas na rua em espaços para atender suspeitas de coronavírus e poucos leitos disponíveis, o Pará vai agora recorrer a médicos cubanos. A Procuradoria-Geral do Pará (PGE) liberou nesta quarta-feira parecer jurídico com as orientações técnicas necessárias à contratação, pelos órgãos estaduais, de 86 profissionais estrangeiros – que ali já atuaram na década passada -, para reforçar o atendimento de covid-19. Os médicos devem atuar no Hospital de Campanha instalado no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia -, na capital paraense, e nas unidades básicas de saúde (UBSs) e de pronto-atendimento (UPAs) do município.
“As contratações serão feitas pelo Estado para que os médicos atuem em Belém, onde há o maior número de infectados. E vão auxiliar a prefeitura neste momento de crise”, explicou o procurador-geral do Estado, Ricardo Sefer.
Na terça, houve filas imensas e necessidade de fechar portões na Policlínica Metropolitana, na capital paraense. O centro médico foi direcionado especificamente para atender casos suspeitos do novo coronavírus. “Devido à grande demanda registrada no primeiro dia de atendimentos, foi necessário realinhar o fluxo de assistência no local. Só na terça-feira (21), a Policlínica atendeu 380 pacientes e realizou 8 transferências para o Hospital de Campanha do Hangar”, informou a Secretaria de Saúde.
O serviço, que deveria funcionar até 22 horas, precisou ser suspenso no fim da tarde, o que motivou ainda um apelo do governador Helder Barbalho (MDB), que também contraiu a doença e está isolado. “Pessoal, um esclarecimento e uma convocação. A Policlínica não é pronto-socorro. Ela é um apoio para a rede municipal de saúde de Belém para combater a covid-19. Nós estamos fazendo nossa parte. Que prefeitos e que cada um faça sua parte também. Somente juntos é que vamos vencer”, disse nas redes.
Segundo informe do governo do Estado, havia anteontem somente 16 leitos de UTI vagos. A situação é crítica porque vítimas da covid-19 chegam a ocupar leitos por até três semanas.
Subnotificação
O critério adotado de só fazer testes em pacientes graves também traz a desconfiança de que os dados oficiais não sejam condizentes com a realidade da pandemia no Estado. E a secretaria reconhece isso. “Certamente há um grande número de subnotificação, considerando que não há como realizar exames para todas as pessoas que apresentam sintomas”, justificou.
A ativista de direitos humanos Rebecca Souza, por exemplo, desconfia que a mãe tenha adquirido a doença durante a internação hospitalar. Elioneide Souza sofreu um acidente vascular cerebral no dia 9 de março e faleceu em 12 de abril. “O laudo da morte foi de covid-19, o médico disse que não tinha certeza de que a causa da morte havia sido só resultante do AVC porque o raio X indicava a possibilidade”, lembrou a filha.
A ativista lembra que, durante os dias de internação, o hospital particular em que a mãe estava internada alegou que a paciente havia contraído pneumonia. O Estado informou que todos os óbitos com suspeita de covid são investigados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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