Os médicos do mundo exigem alojamento, comida e produtos para as trabalhadoras sexuais
Brasil

Os médicos do mundo exigem alojamento, comida e produtos para as trabalhadoras sexuais

Nas estradas de todo o mundo, é comum nos encontrarmos com locais e clubes de prostituição. Esses lugares já são difíceis para o dia a dia das trabalhadoras sexuais, e o coronavírus ainda aumentou o nível da tragédia vivida por elas.

Tal como afirmam os Médicos do Mundo, esses locais tiveram que fechar as portas diante da situação atual do estado de alerta. Alguns portais de contato que tradicionalmente atuaram como ponto de encontro entre os clientes e as trabalhadoras, como este conhecido site, aproveitaram a sua visibilidade para lembrar aos seus visitantes da necessidade de seguir as indicações das autoridades sanitárias.

Contudo, dada a situação econômica na que se encontram, algumas das mulheres que trabalham neles não tiveram saída senão continuar trabalhando. Em muitos desses casos, as prostitutas devem pagar pelos andares e os quartos onde agora mesmo se encontram confinadas e devem sair depois, ainda mais se tiverem filhos ou familiares às suas custas.

Acompanhamento telefônico e apoio psicossocial

As mulheres que continuam exercendo a prostituição, apesar da sua proibição, encontram-se diante de uma situação crítica pela COVID-19. Muitas delas se encontram na necessidade de trabalhar sem ter as medidas de proteção mais básicas para enfrentar o vírus. 

Diante da situação a ONG Médicos do Mundo se encontra diante de uma encruzilhada, pois não pode atendê-las, diretamente enquanto dure o estado de alerta. Nesses dias, a única coisa que se pode fazer é um acompanhamento por telefone, dar-lhes apoio psicossocial e mostrar-lhes o que devem fazer em caso de continuarem trabalhando, como pode ser adotada a posição de quatro para evitar rosto com rosto ou evitar beijar-se.

Outras trabalhadoras sexuais, por outro lado, encontram-se confinadas em andares fechados e clubes à espera que a solução melhore. Contudo, muitas delas têm medo de não poder pagar o aluguel ou suas necessidades básicas e de que os proprietários as joguem na rua.

Por esse motivo, os Médicos do Mundo fazem um chamamento geral para demandar comida, produtos de limpeza e higiene, alojamento e material de prevenção contra o coronavírus. E continuar adotando as normas de confinamento durante mais tempo é algo muito complicado para elas. Além disso, muitas dessas mulheres têm fardos familiares e nem sequer podem ter acesso ao sistema público de saúde.

A petição dos Médicos do Mundo aos governos

A organização pede aos governos que tenham consideração para com as trabalhadoras sexuais que vivem numa situação vulnerável para adotar políticas de apoio econômico e diferentes serviços sociais aos que podem acessar.

A situação irregular nas que se encontram muitas dessas pessoas faz com que não possam adotar os recursos regulados pelo governo, como a proibição de cortar os orçamentos aos lares que não podem suportar o gasto.   A organização também insiste no apoio psicossocial imediato para mulheres que, além de passar por uma situação realmente complexa, permanecem confinadas e ilhadas em andares ou prostíbulos sem acesso a redes e longe da família. Por tudo isso, os Médicos do Mundo exigem políticas públicas de apoio em recursos econômicos, formação e emprego para que possam sair com sucesso do mundo da prostituição.

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