Pedido de cassação de Flávio Bolsonaro está parado há quatro meses
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) O presidente do Conselho de Ética do Senado, Jayme Campos (DEM-MT), afirmou que o pedido de cassação do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) precisa de uma “análise melhor” antes de ser aceito.
O filho 01 do presidente Jair Bolsonaro acumula duas representações feitas no colegiado, ambas pedindo a cassação do mandato. A primeira, de fevereiro, feita pela Rede, foi incorporada a uma segunda, de maio, protocolada por PSOL e PT.
Esta última foi feita após a Folha publicar entrevista com o suplente de Flávio, o empresário Paulo Marinho.
O ex-aliado da família Bolsonaro disse que o senador foi informado com antecedência, em outubro de 2018, sobre a deflagração de uma operação da Polícia Federal na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde Flávio exerceu mandato de deputado estadual até janeiro de 2019.
“Eu li, preliminarmente, a denúncia feita pelos partidos contra o Flávio Bolsonaro e considero que ela está bem apurada, mas precisa de uma avaliação melhor”, afirmou Jayme Campos à Folha nesta quinta-feira (18). “Estou aguardando o parecer [da advocacia do Senado].”
No pedido, os partidos afirmam que a cassação do mandato do senador é necessária por sua ligação “forte e longeva” com as milícias no Rio de Janeiro e apontam quebra de decoro parlamentar.
O Ministério Público do Rio prendeu na quinta o ex-assessor do senador, Fabrício Queiroz, num imóvel ligado ao advogado Frederick Wassef, que representa Flávio e seu pai, o presidente Jair Bolsonaro.
A prisão de Queiroz na casa do defensor levou a Rede a pedir urgência na abertura do processo de cassação de Flávio.
Desde fevereiro, quando o primeiro pedido contra Flávio Bolsonaro foi feito, Campos pediu à Advocacia da Casa um posicionamento sobre a admissibilidade.
Em maio, quando foi protocolado o segundo, ele reforçou a solicitação.
“Não é para mim que precisam cobrar. É para a advocacia do Senado. São eles que precisam falar”, disse o presidente do Conselho de Ética.
Ele rechaçou indiretas que vem recebendo dos partidos de oposição de que, por ser próximo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), poderia beneficiar o filho de Bolsonaro com a inércia do conselho.
Nos últimos meses, Alcolumbre tem estado próximo ao governo, especialmente na articulação para distensionar a relação entre os Poderes.
“Os partidos podem ficar tranquilos que vou fazer o que está na lei”, afirmou Campos.
Nesta sexta-feira (19), a Folha voltou ao senador para saber se havia avançado o caso de Flávio no setor jurídico do Senado. “Hoje é sexta-feira. Se não teve nada na semana, hoje que não vai ter”, respondeu.
Por meio da assessoria, a Advocacia-Geral do Senado informou que não há prazo para que a análise seja realizada. A Casa disse que o aditamento das representações foi o motivo pelo qual “o processo ainda está sendo analisado”.
“Isso é um absurdo. Em cinco dias, no máximo, essa análise tinha de ter ocorrido. Precisamos que o presidente do conselho tome um posicionamento rápido sobre isso”, cobrou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um dos autores da representação.
Na atual legislatura, o Conselho de Ética só se reuniu no dia 25 de setembro do ano passado, quando foi feita a posse do colegiado. Dos 15 cargos de suplentes, o único que não foi preenchido é do Republicanos, partido de Flávio Bolsonaro.
O senador é investigado desde janeiro de 2019 sob a suspeita de recolher parte do salário de seus subordinados, prática conhecida como “rachadinha”, na Assembleia Legislativa do Rio de 2007 a 2018.
Os crimes em apuração são de peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e organização criminosa.
Flávio nega desde o fim de 2018 que tenha praticado “rachadinha” em seu gabinete. Ele afirma que não é responsável pela movimentação financeira de seu ex-assessor.
Veja Tambem em Receita Federal
Imposto de renda 2026 prazo termina hoje contribuintes correm para entregar declaração
Atraso na declaração do Imposto de Renda 2026 gera multas e CPF pendente
Prazo para entregar o IR 2026 termina nesta sexta com multa a partir de R$ 165,74
Receita Federal orienta uso da declaração pré-preenchida para Imposto de Renda 2026 nos últimos dias
Receita Federal aponta 195,9 mil declarações de Imposto de Renda entregues na Zona Sul até 27 de maio
Contribuintes do Imposto de Renda 2026 podem usar pré-preenchida para agilizar entrega dentro do prazo final
Receita Federal detalha erros que impedem envio da Declaração de Imposto de Renda 2026
Receita Federal reforça orientações para contribuintes retidos na malha fina do IRPF 2026
Mais de 80 mil contribuintes do Piauí não entregaram declaração do Imposto de Renda até segunda
Microempreendedores (MEI) têm até domingo para entregar declaração anual de faturamento
Receita Federal alerta para últimas horas de prazo do Imposto de Renda 2026