Weg vê rentabilidade saudável em 2020 e carteira de encomendas sustentável em 2021
SÃO PAULO (Reuters) – A Weg espera entregar neste ano uma rentabilidade sobre capital investido “saudável”, apoiada em encomendas de setores pouco afetados pelos impactos da crise devido às medidas de isolamento social, como mineração e celulose, após um segundo trimestre em que o lucro da empresa cresceu 32%.
A companhia avalia que sua carteira de pedidos de produtos de ciclo longo está em um pico positivo e que é sustentável em 2021, apesar da desaceleração da economia gerada pela quarentena no Brasil e no exterior, disseram executivos da fabricante de motores elétricos, tintas industriais e equipamentos para automação, em teleconferência com analistas.
Embora não tenha detalhado o tamanho da carteira, o diretor financeiro, Paulo Polezi, afirmou que “nosssa carteira de ciclo longo é bastante positiva, está no melhor nível dos últimos anos no Brasil e no exterior”. Segundo ele, “projetos de longo prazo não costumam ser afetados por volatilidade de curto prazo como a que estamos vivendo agora e isso nos dá conforto de termos carteira sustentável para o próximo ano”, acrescentou.
As ações da companhia subiam 0,45% por volta das 13h30, enquanto o índice Ibovespa mostrava baixa de 0,5%. No ano, o papel acumula valorização de cerca de 90%.
Enquanto isso, nas operações de ciclo curto, voltadas a equipamentos “de prateleira”, como motores de menor porte e mais padronizados, a Weg deve encerrar a partir de agosto a redução de jornada introduzida com a chegada da pandemia ao país.
Neste segmento, a visibilidade é mais curta, de três a quatro meses, por isso vai avaliar o cenário para determinar mais tarde se o fim do corte na jornada será mantido, disseram executivos da companhia.
“Estamos vendo uma melhora gradual na dinâmica dos negócios de ciclo curto, mas ainda não dá para dizer que já esta recuperando”, disse Polezi, apostando que a área de ciclo longo deverá “continuar trazendo estabilidade e resiliência” para a Weg pelo menos até o final deste ano.
Questionados sobre os efeitos da aprovação do marco do saneamento neste mês, o diretor superintendente administrativo da Weg, André Rodrigues, estimou que os negócios da companhia na áerea, uma das principais para a empresa, tendem a mostrar evolução diante das expectativas de aumento dos investimentos no setor de água e esgoto.
“Sem dúvida é positivo para a companhia…Com base na visibilidade do marco que temos do governo hoje, o que é endereçável pelos produtos da Weg neste segmento, é de 4% deste orçamento”, disse Rodrigues.
Ele se referiu às projeções do governo federal que serão necessários investimentos de cerca de 700 bilhões de reais para universalizar acesso a água tratada no país e ampliar a cobertura de tratamento de esgoto até 2033. No setor, a Weg produz motores para bombas de água e tintas para tubulações.
Já sobre a proposta de reforma tributária encaminhada pelo governo ao Congresso nesta semana, a avaliação preliminar da Weg é que o texto não deve gerar aumento de carga de impostos para a empresa, disse Polezi.
(Por Alberto Alerigi Jr.)
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