Metroviários de SP acusam retirada de diretos na pandemia e sinalizam greve
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os funcionários das linhas 1-azul, 2-verde, 3-vermelha e 15-prata do metrô de São Paulo prometem iniciar uma greve por tempo indeterminado a partir da próxima terça-feira (28). A categoria acusa a empresa estatal de retirar direitos dos trabalhadores durante a pandemia de Covid-19 e reivindica a prorrogação do atual acordo coletivo, que expirou no fim de abril.
A decisão final a respeito da paralisação será tomada na próxima segunda-feira (27), após uma audiência entre o Sindicato dos Metroviários e a empresa, que será realizada virtualmente pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho). Uma assembleia da categoria será realizada às 19h, também pela internet.
Caso a paralisação ocorra, de fato, as linhas 4-amarela e 5-lilás não serão afetadas, já que são concedidas à iniciativa privada e possuem acordos coletivos separados.
“Se entrarmos em greve, não será por aumento salarial, e sim pela manutenção dos direitos de uma categoria que não parou de trabalhar durante a pandemia”, afirma Camila Lisboa, diretora do sindicato.
Na quinta (23), os metroviários receberam um comunicado do Metrô informando sobre um corte de nos salários nominais e nas gratificações de função referentes ao mês de julho. A redução anunciada foi de 10%.
De acordo com Wagner Fajardo, também diretor do sindicato, a companhia planeja reduzir o adicional noturno de 50% para 20% e a hora extra de 100% para 50%. Os sindicalistas informam também que a empresa sinalizou a intenção de aumentar o valor da participação dos trabalhadores no plano de saúde.
O sindicato também critica os altos salários praticados no Metrô. Segundo a entidade, mais de 300 funcionários da empresa recebem um salário acima do que é pago ao governador João Doria (PSDB), que é de R$ 23 mil. Alguns chegam a ganhar R$ 40 mil. “A maioria da categoria trabalha em funções que recebem entre R$ 2,5 mil e R$ 6 mil”, afirma Lisboa.
Outra reivindicação da categoria é para que o governo do estado passe a subsidiar o funcionamento do Metrô, o que, segundo os sindicalistas, melhoraria a situação financeira da companhia e possibilitaria a redução no preço da passagem.
Fajardo afirmou que propôs ao governo do estado e à Justiça para que, em vez da paralisação, a categoria funcione na terça sem cobrar tarifa dos passageiros. A proposta, entretanto, foi rejeitada.
O Metrô foi procurado para comentar sobre as reivindicações dos trabalhadores, mas não se manifestou até a publicação desta reportagem.
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