Quando ocorreu o último super El Niño e por que os eventos intensos se aproximamPor Carolina Costa
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Pesquisadores ainda divergem sobre a data exata do último super El Niño. O fenômeno de 2015-2016 registrou o maior aquecimento das águas do Pacífico equatorial na era dos instrumentos modernos.
O aquecimento chegou a 2,6°C acima da média. Esse valor superou os registros anteriores. Já o episódio de 2023-2024 atingiu cerca de 2°C no pico. Parte da comunidade científica considera esse patamar próximo do limite para classificar um evento como super.
A diferença na definição não altera apenas o rótulo. Ela revela um padrão observado nos últimos décadas. Os intervalos entre os El Niños mais intensos mostram tendência de redução.
Definição de super El Niño varia entre agências
O termo super El Niño não tem categoria oficial única. A NOAA, agência americana de oceanos e atmosfera, usa o Oceanic Niño Index (ONI) para medir anomalias na região Niño-3.4. O índice acompanha a temperatura da superfície do mar.
Patamares acima de 2°C indicam eventos muito fortes. O limite informal de 1,5°C marca a categoria forte. Em 2015-2016, o índice registrou o pico mais alto da série moderna.
- 2015-2016: pico de 2,6°C acima da média
- 2023-2024: pico próximo de 2°C
- Eventos históricos: 1997-1998 e 1982-1983 também atingiram níveis extremos
Outros centros meteorológicos adotam critérios semelhantes, mas calibram os modelos de forma diferente. Pequenas variações nas condições iniciais geram resultados distintos nas projeções.
Histórico mostra cinco episódios muito fortes desde 1950
Desde 1950, cinco eventos foram classificados como muito fortes. O tempo entre eles já chegou a 18 anos em alguns casos. Nos últimos ciclos, esse intervalo diminuiu.
O episódio de 2015-2016 causou impactos globais. Secas severas atingiram várias regiões da América do Sul. Inundações afetaram o Peru e outros países. O aquecimento contribuiu para recordes de temperatura em 2015 e 2016.
O evento de 2023-2024 também produziu efeitos notáveis. Ondas de calor e alterações no regime de chuvas marcaram vários continentes. A proximidade temporal com o anterior reforça a percepção de encurtamento dos ciclos.
Pesquisadores do Cemaden, no Brasil, acompanham esses padrões. Eles destacam a natureza caótica da atmosfera. Mudanças pequenas nas condições iniciais podem alterar o desenvolvimento do fenômeno.
Previsão indica novo El Niño forte ou muito forte em 2026
A NOAA divulgou no início de maio de 2026 a previsão de desenvolvimento de um novo episódio. A probabilidade chega a 82% entre maio e julho. A chance de persistência até o inverno do hemisfério norte, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, atinge 96%.
Modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF) indicam possibilidade de aquecimento próximo a 3°C. Esses valores exigem cautela na interpretação. A intensidade final depende do acoplamento entre oceano e atmosfera ao longo dos próximos meses.
O fenômeno El Niño ocorre quando as águas do Pacífico equatorial se aquecem acima da média. Ventos alísios enfraquecem. Isso altera os padrões globais de temperatura e precipitação.
Impactos potenciais do próximo evento preocupam autoridades
Eventos fortes costumam trazer secas no norte do Brasil e em partes da Amazônia. O sul do país e o Sudeste podem registrar chuvas acima da média. Inundações e deslizamentos tornam-se mais prováveis em áreas vulneráveis.
No Peru e no Equador, o risco de enchentes aumenta. Na Austrália e na Indonésia, a seca pode se intensificar. Os efeitos na agricultura e no abastecimento de água exigem planejamento antecipado.
O Cemaden monitora os desdobramentos para o Brasil. Alertas de desastres naturais ganham importância maior quando o fenômeno se aproxima do território nacional.
- Regiões com maior risco de seca: Norte e Nordeste
- Áreas com possibilidade de chuvas intensas: Sul e Sudeste
- Setores afetados: agricultura, energia hidrelétrica e saúde pública
- Preparação necessária: reforço em sistemas de alerta e infraestrutura
Divergências entre modelos refletem complexidade do sistema climático
Diferentes centros de previsão apresentam cenários variados. Isso é esperado em um sistema caótico. A NOAA mantém tom cauteloso sobre a força máxima do evento.
Projeções mais agressivas do ECMWF sugerem chance de superar recordes recentes. Ainda assim, o acoplamento oceano-atmosfera precisa se consolidar no verão do hemisfério norte para confirmar a intensidade.
Cientistas reforçam que eventos mais frequentes não significam necessariamente maior gravidade em todos os casos. A vulnerabilidade das populações e a exposição de infraestrutura amplificam os impactos.
O monitoramento contínuo das temperaturas no Pacífico segue como prioridade. Dados de satélites, boias e estações em terra alimentam os modelos.







