Prédios são incendiados e bandos armados atuam em Lagos apesar de apelo de presidente
Por Angela Ukomadu
LAGOS (Reuters) – Bandos armados com facas e porretes bloquearam vias principais de Lagos nesta sexta-feira, com muitos furiosos com o discurso do presidente da Nigéria no qual ele apelou por calma, mas não condenou o assassinato de manifestantes que pediam o fim da brutalidade policial.
Os tumultos representam os piores episódios de violência nas ruas desde que a Nigéria voltou ao comando civil em 1999 e a mais grave crise política enfrentada pelo presidente Muhamadu Buhari, um ex-líder militar que chegou ao poder em 2015.
Uma rodovia que leva para o aeroporto internacional foi obstruída por barricadas montadas por grupos de homens jovens que reivindicaram dinheiro de motoristas. Ônibus cujos motoristas se recusaram a pagar foram destruídos, de acordo com uma testemunha da Reuters.
No leste de Lagos, homens armados perseguiram policiais e várias delegacias foram completamente queimadas. Postos de combustíveis foram fechados e caixas eletrônicos não funcionavam em partes do país.
A violência na cidade, centro comercial da Nigéria de 20 milhões de habitantes, escalou desde a noite de terça-feira, quando um toque de recolher foi anunciado.
A Anistia Internacional disse que soldados e policiais mataram pelo menos 12 manifestantes em Lekki e Alausa, dois distritos de Lagos, na terça-feira. Na quinta, Anistia, Human Rights Watch e 40 outros grupos pediram “uma investigação ampla e imediata” sobre o incidente.
O Exército do país negou que soldados estivessem no local do tiroteio em Lekki, onde pessoas se reuniriam desafiando o toque de recolher.
Em um pronunciamento à nação no final da quinta-feira, Buhari fez um apelo para que jovens “descontinuem seus protestos nas ruas e se envolvam construtivamente com o governo na busca por soluções”.
Foi a primeira declaração pública dele desde o início dos tiroteios. Embora ele tenha lamentado as perdas de vidas inocentes, ele não se referiu diretamente ao incidente em Lekki. Muitos manifestantes nas ruas disseram ter ficado furiosos com o pronunciamento de Buhari, porque ele não mencionou o episódio em Lekki.
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