PSB anuncia apoio a Boulos, mas Márcio França se declara neutro
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Terceiro colocado na eleição para prefeito de São Paulo, Márcio França (PSB) abriu divergência em seu partido e anunciou nesta sexta (20) neutralidade no segundo turno, contrariando a orientação nacional da legenda pelo apoio a Guilherme Boulos (PSOL).
Horas antes, o psolista realizou um evento em que anunciou o apoio do PSB e de outras siglas. Participaram do evento representantes de PT, PDT, PC do B, Rede e PSB –além de PCB e UP, que já integravam a coligação.
França vinha sendo pressionado por integrantes de seu partido e do PDT, que fez parte de sua chapa, para endossar a candidatura de Boulos, com quem teve altercações na disputa. A Folha havia informado na terça (17) que a tendência era que ele optasse pela neutralidade.
“Não faço o que não estou convencido, nem meus eleitores. Não aceito empurrões”, escreveu o ex-governador.
“Estamos certos que aqueles mais de 728 mil cidadãos, que pensaram como eu, e que deram seu voto ao nosso projeto, não se encontram nas propostas e perfis dos candidatos pré-selecionados.”
França disse ainda respeitar os resultados e desejou sorte aos dois candidatos, nos quais disse reconhecer “méritos importantes”.
Na quinta (19), a executiva nacional do PSB decidiu pelo apoio a Boulos e repassou a orientação ao diretório municipal. O diretório, porém, não se manifestou até a conclusão desta edição –a reportagem não obteve resposta do presidente local do PSB, o vereador Eliseu Gabriel.
No ato do PSOL, os representantes das siglas se sentaram ao lado de Boulos. O PSB foi representado por Fernando Guimarães, que discursou na condição de militante. Ele confirmou a recomendação do presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira.
Ao fim do evento, Boulos disse ter expectativa sobre a adesão de França, lembrando que o ex-adversário “fez uma campanha no primeiro turno também anti-Doria”.
O líder de movimentos de moradia apresentou o que foi batizado como “frente democrática por São Paulo”, de oposição aos governos Bruno Covas (PSDB), João Doria (PSDB) e Jair Bolsonaro (sem partido).
“Não concordamos em tudo, mas unidade não se faz só com quem se concorda.”
Porta-vozes de partidos aliados reiteraram a adesão de líderes das legendas, como o ex-presidente Lula (PT), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e a ex-senadora Marina Silva (Rede). Os três foram procurados para gravar vídeos que devem ser usados na propaganda de Boulos.
Nas falas, dirigentes partidários exaltaram a união em torno de Boulos como um marco histórico. Também homenagearam João Alberto Freitas, negro espancado por seguranças de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre.
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