Augusto Melo propõe roda-gigante no Corinthians
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A construção de um hotel e de um parque de diversões, com uma roda-gigante no formato do escudo do Corinthians, está entre as principais propostas de Augusto Melo, 54, no plano apresentado por ele para concorrer à presidência do clube alvinegro.
Dos três postulantes ao cargo de Andrés Sanchez, o ex-assessor das categorias de base do clube é o menos conhecido. Por isso, sua candidatura aposta em projetos ambiciosos para chamar a atenção dos eleitores.
No sábado (28), Melo disputará o pleito e terá como adversários o ex-presidente Mário Gobbi (2012-2015) e o ex-diretor de futebol Duílio Monteiro Alves, este último o candidato indicado pelo atual mandatário.
Ex-empresário do ramo têxtil, ele trata a revitalização do Parque São Jorge como a principal forma de valorizar a marca Corinthians, “quem vem sendo maltratada e massacrada”, diz.
O projeto apresentado por ele prevê a construção de um pequeno shopping, um hotel e um parque na sede do clube. “Não temos jovens frequentando o clube. Por isso criamos um projeto audacioso para trazer os jovens e as famílias de volta”, afirma.
A roda-gigante faz parte do que Melo chama de proposta audaciosa. Ela teria cerca de 88 metros, altura semelhante à da inaugurada no ano passado no Rio de Janeiro e considerada uma das maiores da América Latina.
“Esse distintivo vai ser referência não só em São Paulo, mas no Brasil e no mundo. A pretensão é entrar no livro dos recordes”, afirma.
Por enquanto, o candidato não apresentou estudo técnico para viabilizar a roda-gigante e a construção de um hotel na sede do clube.
“Nós não perderemos a nossa essência. Teremos a bocha, piscinas, quadras de skate, campos de futebol, mas teremos também uma ala para o parque temático, o hotel e o shopping”, diz.
Rival de Gobbi na eleição, Melo também já fez parte da gestão do ex-mandatário, em 2015. “Eu me orgulho do trabalho na base. Quando assumimos a gestão da base, os empresários tomavam suco com a garotada dentro do vestiário. Com isso a gente acabou, tiramos os empresários de dentro do vestiário.”
Ele deixou o cargo em 2016, no mandato de Roberto de Andrade (2015-2018), junto com outros oito assessores e o diretor José Onofre, após um escândalo na categoria sub-17. Na época, um garoto de 17 anos, avaliado como “sem condições de fazer parte da categoria”, ganhou um contrato de quatro meses com o Corinthians.
O candidato afirma que, quando tomou conhecimento do fato, foi um dos primeiros a comunicar o diretor da base sobre o ocorrido e que, por causa disso, não queria mais continuar no clube.
“Nós chegamos para o diretor-geral e comunicamos que iríamos entregar o cargo. Na época ele não quis. Mesmo assim, depois acabou saindo todo mundo e eu fui o único que voltei”, afirma. De acordo com ele, seu retorno se deu por insistência de Roberto de Andrade.
Nos dois momentos em que trabalhou no Parque São Jorge, Augusto Melo fez parte de gestões da chapa Renovação e Transparência, funda por Andrés Sanchez, pelas quais se elegeram tanto Andrade quanto Mário Gobbi.
Mesmo assim, Melo se define como o “único candidato de oposição” no atual pleito. “Eu nunca tive partido, nunca gostei de política. Fui convidado para fazer parte do chapão [que deu origem ao Renovação e Transparência]. Quando eu trabalhei na base, aí que eu fui ver o que é situação e o que é oposição.”
Na concorrência deste ano, o candidato da situação é Duílio Monteiro Alves, indicado por Sanchez. Apesar de também ter sido um dos fundadores da chapa que está no poder há 13 anos no Parque São Jorge, Gobbi rompeu com o atual presidente em 2012 e tenta voltar ao cargo.
Para Melo, enquanto Gobbi foi presidente, perdeu a chance de fazer do Corinthians um dos maiores times do mundo. “Ele ganhou o Mundial e a Libertadores com uma estrutura já montada. Tínhamos tudo para deslanchar e, em vez disso, aumentou o déficit, baixou a receita e quebrou o time.”
A visão é semelhante sobre Duílio. “Ele é um bom menino, mas também já passou por lá. O próprio Andrés já afirmou que voltou para arrumar o clube, mas não conseguiu. Então o que o Duílio vai arrumar?”, questiona.
Ele critica o aumento da dívida do clube nos últimos anos, sobretudo os atrasos no pagamento do financiamento da arena. A Caixa Econômica Federal cobra R$ 536 milhões na Justiça.
Para sanar esse débito, Augusto Melo pretende aumentar o número de eventos realizados no estádio e diminuir o preço dos ingressos.
“Vamos colocar 75% da arena com preços populares. O meio que a gente tem para pagar a arena é ter sempre o estádio lotado.”
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