Boko Haram reivindica sequestro de centenas de estudantes na Nigéria
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em uma mensagem de áudio divulgada nesta terça-feira (15), um homem que se identifica como líder do grupo terrorista Boko Haram reivindica o sequestro de mais de 300 de estudantes de uma escola secundária no noroeste da Nigéria.
“Sou Abubakar Shekau, e nossos irmãos estão por trás do sequestro em Katsina”, diz a mensagem. “O que aconteceu foi feito para promover o Islã e desencorajar práticas não islâmicas, pois a educação ocidental não é o tipo de educação permitida por Alá e seu santo profeta.”
Ao menos 333 adolescentes permanecem desaparecidos desde o ataque na sexta-feira (11) contra a uma escola secundária na cidade de Kankara, no estado de Katsina, a mais de 100 km do território do Boko Haram.
Mais de cem homens armados com fuzis AK-47, em motos, atacaram na sexta à noite a escola rural. Muitos conseguiram fugir e se esconderam numa floresta próxima, enquanto outros foram alcançados, separados em vários grupos e levados pelos assaltantes, relataram moradores ouvidos pela AFP.
O Boko Haram, cujo nome, na língua local hausa, significa “a educação ocidental é proibida”, atua no nordeste da Nigéria desde 2009. As afirmações na fita de áudio, se verdadeiras, podem significar uma expansão para o noroeste do país –ou indicar que eles formaram alianças com grupos militantes que operam na região.
No Twitter, o governador Aminu Bello Masari afirmou que há “negociações” com os sequestradores “para garantir a segurança” dos adolescentes e “permitir seu retorno às suas casas”.
Em um primeiro momento, o sequestro foi atribuído a grupos armados locais, que, normalmente, pedem resgates para os sequestros.
“O anúncio da reivindicação pelo Boko Haram destruiu toda a esperança que tinha de voltar a ver meu filho em breve”, disse Ahmed, pai de um dos desaparecidos, que se reuniu com outros pais perto da escola agora vazia.
O grupo terrorista também está por trás do sequestro de mais de 200 meninas de uma escola secundária na cidade de Chibok, em 2014.
Especialistas e observadores da região alertaram sobre uma possível aproximação entre esses grupos armados e o Boko Haram, que propaga sua influência desde o centro do Mali até o lago Chade, ao norte de Camarões.
O presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, condenou o ataque e ordenou o reforço das medidas de segurança em todas as escolas. Os centros de ensino foram fechados no estado de Katsina.
O governo afirmou, no sábado, que o Exército localizou “o refúgio dos bandidos” e que havia uma operação militar em andamento.
A segurança é frágil no norte da Nigéria desde a eleição de Buhari em 2015, apesar de sua declaração de que a luta contra o Boko Haram seria a prioridade de seu mandato presidencial.
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