Bolsa fecha em nova máxima histórica, a 125 mil pontos, e ganha 5% na semana
Economia

Bolsa fecha em nova máxima histórica, a 125 mil pontos, e ganha 5% na semana

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Mesmo com desempenho moderado em Nova York, com sinais mais fracos sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos e alguma tensão sobre os últimos dias de poder de Donald Trump, o Ibovespa atingiu a marca de 125 mil pontos nesta sexta-feira, após ter saído de 119 mil para alcançar pela primeira vez o nível de 122 mil na sessão anterior. A ascensão sem escalas nesta primeira semana do ano por terreno não mapeado, enquanto dólar, juros e CDS continuam a refletir cautela quanto à situação fiscal doméstica, coloca em jogo a extensão do rali iniciado em novembro com o retorno do investidor estrangeiro à B3. A liquidez global continua a ser o mote para levar adiante o Ibovespa, adiando realização de lucros mesmo nos dias menos azuis.

Nesta sexta-feira, o índice emendou o segundo fechamento em nível recorde, distanciando-se da marca de 119,5 mil pontos que vigorou entre 23 de janeiro passado e a quarta-feira.

O giro financeiro chegou nesta sexta a R$ 46,3 bilhões, após ter se mantido na também elevada casa de R$ 43 bilhões nas duas sessões anteriores.

Na semana, o Ibovespa acumula ganho de 5,09%, tendo fechado nesta sexta em alta de 2,20%, a 125.076,63 pontos. No melhor momento, às 17h10, estabeleceu novo pico intradia acima de 125 mil, aos 125.323,53 pontos, em alta de 2,40%, saindo de mínima na sessão a 122.385,76 pontos. Assim, o índice emendou também o segundo avanço semanal, obtendo seu melhor desempenho desde a semana encerrada em 6 de novembro (7,42%).

Na hora final, os três índices de NY voltavam a esboçar direção única, positiva, após terem se mantido mistos na maior parte do dia. Nos EUA, o presidente eleito, Joe Biden, disse no fim da tarde que a decepcionante leitura dos mais recentes dados sobre vagas de trabalho no país, divulgados pela manhã, “mostra que precisamos prover ainda mais alívio fiscal, urgente”. Ele afirmou também que o pacote fiscal inteiro “estará na soma de trilhões de dólares” – sem mais detalhes, devendo sair na próxima semana.

Com a melhora em NY, e ganhos de 3% nas cotações da commodity, Petrobras PN (+0,39%) e ON (-0,19%) chegaram a ensaiar reação conjunta, enquanto as ações de siderúrgicas reduziam perdas e uma pequena parte das de bancos passou a subir (BB ON +0,58% no fechamento), conferindo ainda mais dinamismo para o Ibovespa na reta de chegada da sessão. Assim, às 16h55, o Ibovespa tocou pela primeira vez a marca de 125 mil, a 125.002,16, e a largou às 17h46, mas conseguiu recuperá-la nos ajustes finais.

Nem o dia majoritariamente negativo para carros-chefes como Vale ON (-0,31%), bancos (Bradesco PN -0,86%, Santander -1,06%) e na maior parte de siderurgia (CSN +0,60%, Gerdau PN -1,49%) impediu o Ibovespa de alcançar novas altitudes ao longo da sessão. O destaque foram as ações de utilities, defensivas, com Cemig em alta de 6,87% e Eletrobras ON, de 3,16%, bem como as do setor de saúde, na ponta do Ibovespa, com Intermédica em salto de 26,59% e Hapvida, de 17,68%, impulsionadas por proposta de combinação de negócios entre as empresas, apresentada pela segunda. A Hapvida passaria a deter 53,1% da nova companhia e a Notre Dame Intermédica, 46,9%, com a fusão.

“O mercado está inundado de liquidez e a disponibilidade de vacinas dá mais previsibilidade para a retomada, o que tem se refletido na demanda global por todo tipo de ativo, seja petróleo, minério, ações e mesmo bitcoins”, diz Romero Oliveira, especialista em renda variável da Valor Investimentos. “Na B3, tivemos esta recuperação puxada por commodities e bancos, mas ainda há oportunidades em setores que ficaram de fora deste movimento recente, como o de varejo”, acrescenta.

“Em um mundo com tanta liquidez, houve mesmo este evento atípico – uma invasão que deixou mortos no Congresso americano – sem causar efeito nos mercados. Realização alguma está ocorrendo”, conclui Oliveira. “O céu azul lá fora nos deu algum tempo para iniciar a arrumação da casa por aqui, o que dependerá do controle de gastos para que o fiscal se reequilibre”, acrescenta o especialista, chamando atenção para a eleição das presidências da Câmara e do Senado, em fevereiro, como fator que será acompanhado de perto pelo mercado, em busca de sinais sobre o caminho.

Após ter defendido aumento nos benefícios distribuídos aos mais pobres, o candidato de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara, Baleia Rossi (MDB-SP), buscou mostrar nesta sexta, no Twitter, compromisso com a “responsabilidade fiscal”. “A pandemia ainda não acabou. Qualquer discussão sobre o auxílio emergencial passa, necessariamente, pelo cuidado com as contas públicas”, disse Rossi, que enfrentará o candidato do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), que tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro.

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