Taxas de juros descolam do câmbio e curva desinclina
O mercado de juros deu sequência nesta quarta-feira ao movimento da terça-feira, com as taxas longas novamente em queda, trazendo mais desinclinação à curva, na medida em que as curtas, que na terça subiram, hoje ficaram estáveis. A mensagem da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), indicando possibilidade de aperto monetário já em março, ainda reverbera, provocando ajustes técnicos expressivos nas posições. Em função disso, a curva nesta quarta descolou do movimento do câmbio, com o dólar mostrando alta em boa parte da sessão.
A pressão da curva também foi amenizada pela expectativa de que o governo encontrará uma solução para financiar a retomada do auxilio emergencial sem ferir a regra do teto de gastos e, ainda, a sinalização do Tesouro de que tem sob controle a gestão da dívida pública para os próximos meses.
O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 terminou a sessão na máxima de 3,450% (regular) e 3,445% (estendida), ante 3,432% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 6,625% para 6,56% (regular) e 6,55% (estendida). O DI para janeiro de 2023 terminou a etapa regular com taxa de 5,07% e a estendida em 5,055% (5,09% de terça), enquanto a do DI para janeiro de 2027 recuou de 7,304% para 7,225% (regular) e 7,210% (estendida).
A despeito do cenário externo de maior cautela nesta quarta-feira, o mercado de juros seguiu mais sensível ao quadro local, sem grandes reações, por exemplo, ao principal evento da agenda que era a reunião do Federal Reserve.
O vice-presidente Hamilton Mourão disse ser favorável a uma extensão do auxílio atrelada a um corte de despesas do Orçamento. “Para que se estenda esse auxílio emergencial, determinados gastos terão que ser cortados”, disse, em entrevista à Rádio Bandeirantes. “Sou a favor da extensão do auxílio emergencial, desde que não seja algo que vá criar uma dívida ainda mais impagável para o Brasil.”
O secretário do Tesouro, Bruno Funchal, em entrevista para comentar o Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida em 2021, disse que o espaço para novas medidas fiscais é extremamente reduzido. “O cenário é totalmente diferente do ano passado”, afirmou.
Enquanto em 2020 a necessidade de financiamento da dívida era de R$ 1 trilhão, em 2021 é de R$ 1,6 trilhão. De todo modo, lembrou que a instituição está em tratativas para devolução de recursos de bancos públicos, como o BNDES, reforçando o colchão de liquidez da dívida.
No radar do mercado esteve ainda a gestão da dívida pública. Nesta quarta, o Tesouro divulgou, além do PAF, o relatório referente a 2020. Entre as novidades, a instituição informou que encerrou o ano passado com R$ 881,3 bilhões na reserva de liquidez feita para honrar compromissos com investidores. O dado passará a integrar o relatório da dívida a partir de agora, o que foi muito bem visto pelo mercado como sinal de transparência, pois é um termômetro da capacidade de pagamento aos seus investidores. Segundo o órgão, o montante é suficiente para honrar todos os vencimentos previstos para o primeiro semestre.
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