Projeto Serrana: a escolha da cidade e os objetivos da iniciativa em SP
O que descobriríamos ao fazer um estudo do impacto da vacina em uma população inteira? Essa é uma das perguntas que inspirou a criação do Projeto Serrana – inicialmente, a iniciativa se chamava Projeto S, de “secreto”. Pioneiro no mundo, esse estudo tem como objetivo avaliar, em cerca de três meses, o efeito da vacinação sobre o curso da pandemia.
O estudo escalonado por conglomerados vai avaliar a eficiência da vacinação em relação à transmissão do vírus, redução de carga do sistema de saúde, bem como outros efeitos indiretos da vacinação na economia, na circulação de pessoas e na aceitação da vacinação, por exemplo. O acompanhamento vai permitir mensurar todos esses aspectos em nível populacional, dados que geralmente são apresentados somente após a conclusão do programa de vacinação.
“A ideia é vacinar o maior número de pessoas da população adulta. Nós estamos prevendo uma vacinação que pode chegar a 30 mil pessoas. E, com isso, a gente acompanha a evolução da epidemia. Tem aspectos técnicos que vão permitir fazer cálculos, fazer projeções e calcular se a vacina é capaz de diminuir a transmissão do vírus”, explica o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas.
A cidade do Projeto S foi escolhida com base em três critérios: precisaria ser um município pequeno; possuir taxa de infecção elevada para que o efeito de vacinação fosse avaliado mais rapidamente; e estar próximo ou conter um centro de pesquisa. Serrana foi escolhida por reunir os três fatores e ter números elevados de Covid-19 comparados a todos os municípios do entorno.
Foi realizado um mapeamento para obter um entendimento não só geográfico, como também social das áreas de Serrana e analisar o nível de aceitação da vacina. Com a ativação do sistema de vigilância, todos os moradores foram submetidos a um censo e a um processo de georreferenciamento por meio do qual será possível acompanhar o número de casos, exames positivos, internações e consultas médicas – o que permite comparar o resultado de cada região.
A imunização da população serranense poderá ter efeito indireto de proteção em quem não puder, por alguma razão, ser vacinado. Esse é um dos efeitos que o Projeto S pretende estudar.
“É um estudo importante para todos nós. Importante para Serrana, para o estado de São Paulo, para o Brasil e para o mundo. Com base no que vamos aprender aqui, poderemos contar para o restante do mundo qual o efeito de fato da vacinação contra a Covid-19”, afirmou Ricardo Palacios, diretor de estudos clínicos do Butantan.
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