Em última conquista, Inter venceu de forma invicta Brasileiro inchado
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Em última conquista, Inter venceu de forma invicta Brasileiro inchado

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Na última vez que o Internacional sagrou-se campeão brasileiro, em 1979, o campeonato quase não foi disputado. Quando saiu do papel, apresentou-se como um estrambólico e superlotado torneio para 94 clubes, um recorde na competição até hoje.

O Nacional daquele ano refletia o momento do país, ainda sob o regime da Ditadura Militar. À época, o governo época era presidido por João Baptista Figueiredo (1918-1999).

O número de equipes no campeonato foi resultado da política adotada pelo almirante Heleno Nunes, que comandava a CBD (Confederação Brasileira de Desportos), precursora da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), fundada em 1980.

Time do Internacional campeão brasileiro de 1979: João Carlos, Benítez, Mauro Pastor, Falcão, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Valdomiro, Jair, Bira, Batista e Mário Sérgio, no estádio Beira-Rio Juan Carlos Nunes usava o Brasileiro para aumentar o poder da Arena, partido que dava sustentação à ditadura. “Governadores que não eram eleitos pressionavam a CBD para colocar times no Nacional”, lembra o jornalista Juca Kfouri, colunista da Folha. Ele cita um bordão que ficou famoso na época: “Onde a Arena vai mal, um time no Nacional”.

Foi nesse cenário que a equipe gaúcha, formada por nomes como Falcão, Jair, Valdomiro, Mauro Galvão Mário Sérgio e Batista se tornou campeã invicta, com 16 vitórias e 7 empates, conquistando o tricampeonato nacional –havia vencido também em 1975 e 1976.

Neste domingo (21), pouco mais de 41 anos depois, o Inter terá a chance de conquistar o tetra em caso de vitória sobre o Flamengo, às 16h, no Maracanã, na penúltima rodada da edição de 2020 do Brasileiro.

Em 1979, também foi diante de uma equipe carioca que o clube colorado chegou à taça. Nas finais, derrotou o Vasco duas vezes, a primeira no Rio, por 2 a 0, e a segunda em Porto Alegre, por 2 a 1.

O modelo daquele Nacional, disputado em três fases, beneficiava paulistas e cariocas, que não tiveram de jogar a primeira fase. Isso irritou clubes de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul, da Bahia e de Pernambuco, que ameaçaram boicote.

Foram semanas de negociações até que a CBD, a quatro dias da competição, anunciou o campeonato com 94 times, 14 a mais do que o previsto originalmente. Apesar dos protestos, paulistas e cariocas mantiveram o prilégio.

No dia seguinte à abertura da competição, a Folha promoveu um debate sobre o futuro do futebol no país e convidou repórteres e editores dos principais veículos de imprensa. A conclusão foi unânime: “no país do futebol, faltam competência, coragem e inteligência aos que dirigem”, escreveu a reportagem.

“Em 1979, Corinthians, Santos e São Paulo nem sequer disputaram o Brasileiro. Só o Palmeiras disputou, dos times grandes de São Paulo. Eles davam preferência ao Estadual, tamanho era o descrédito com o futebol brasileiro”, diz Juca Kfouri, presente naquele encontro representando a revista Placar.

O excesso de clubes na competição, a maioria com pouca expressão no futebol nacional, também forçava deslocamentos mais longos para os times grandes.

“Na nossa época, a gente viajava muito de ônibus. Não tinha essa coisa de voo fretado. Quando ia viajar de avião, tinha de acordar de madrugada para pegar um voo que saía de Belém, parava em Recife, depois São Paulo, ia para o Rio de Janeiro e só depois vinha para Porto Alegre”, lembra o ex-ponta direita Valdomiro, campeão com o Inter em 1979.

Jogador que mais vezes vestiu a camisa colorada na história, com 803 jogos, o ex-atleta valoriza o título do Inter não só por essas dificuldades, mas principalmente pelos adversários que o clube gaúcho encarou nas fases decisivas.

Na semifinal, o time dirigido por Ênio Andrade encontrou o Palmeiras de Telê Santana, que comandava o elenco formado por atletas como Beto Fuscão, Pires, Jorginho, Polozzi e o goleiro Gilmar.

Um personagem palmeirense que ficou marcado na época foi o meio-campista Mococa. Antes do primeiro jogo com o Inter, no Morumbi, o extinto Jornal da Tarde publicou uma manchete questionando quem seria mais decisivo no duelo: “Mococa ou Falcão?”.

No dia seguinte à partida, vencida pelos gaúchos por 3 a 2, com dois gols de Falcão, a resposta da nova manchete foi definitiva: “Falcão, é claro”.

Com o empate na volta (1 a 1), o Inter avançou à final para enfrentar o Vasco de Roberto Dinamite. O time gaúcho não pôde contar com Falcão, suspenso no jogo de ida, mas mesmo assim venceu no Rio por 2 a 0. Na volta, novamente uma vitória, esta com gol de Falcão, por 2 a 1, no Beira-Rio.

“Esse título deu mais gosto porque nas finais a gente não pegou times fracos. Nó pegamos equipes com atletas de seleção. Olha o Vasco de 79, era um dos grandes do futebol brasileiro e nós fomos campeões invictos”, orgulha-se Valdomiro.

Saudoso daquela conquista, o ex-ponta direita vive agora a ansiedade de ver o Inter novamente campeão brasileiro, para ele o torneio mais difícil de todos. “Foi difícil ganhar aquele título. É muito mais fácil ganhar uma Libertadores. É muito mais fácil ganhar um jogo só, como foi Inter e Barcelona no Mundial.”

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