Saiba como se proteger dos golpes de consórcio mais comuns
Saiba como se proteger dos golpes de consórcio mais comuns. Neste mês, a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) divulgou que os consórcios avançaram 21,5%, em 2020, em comparação com o ano anterior, somando mais de R$ 163,63 bilhões em negócios. Os créditos concedidos foram responsáveis por injetar cerca de R$ 52 bilhões na economia brasileira. O problema é que, ao contratar essa modalidade de crédito, muitos consumidores não buscam todas as informações necessárias e podem acabar se arrependendo mais tarde ou caindo em golpes.
O sócio-diretor da Consorciei, fintech que auxilia consorciados desistentes, Alexandre Gomes, explica que, ao contrário de um financiamento, em que o cliente tem acesso ao bem de imediato, num consórcio é preciso pagar antes para, só depois, conseguir usufruir do serviço ou do produto.
— Ao tentar “empurrar” o consórcio, alguns vendedores acabam, indevidamente, garantindo que a contemplação em poucos meses. O cliente vai, sim, receber o bem, mas isso pode ser no segundo mês de pagamento ou ao final, depois de 20 anos. Não tem como saber — comenta Gomes, acrescentando: — Além disso, tem gente que acredita que, dando um lance, ou seja, adiantando um valor alto a ser pago, vai garantir a contemplação. Isso não é verdade. Se outra pessoa der um lance mais alto do que o seu, ela vai levar primeiro.
O diretor da fintech ainda alerta para a compra de consórcios de administradoras desconhecidas e não credenciadas ao Banco Central (BC). Gomes também chama a atenção para pessoas que tentam vender uma “cota contemplada”:
— É um golpe parecido com o bilhete da loteria premiado. O desconhecido oferece uma cota contemplada e, para isso, você tem que pagar para ele uma certa quantia. É sempre bom desconfiar.
Conheça os golpes de consórcios mais comuns:
– Promessa de contemplação: Não há como prever quando uma cota será contemplada, seja por sorteio ou por lance. Mesmo com a conta contemplada, a compra do bem passa por uma análise de crédito tão rigorosa quanto a análise de um financiamento. Afinal, se o consumidor deixar de pagar as parcelas depois que for contemplado, o bem pode ser alienado.
– Cota contemplada: É necessário tomar cuidado ao comprar uma cota já contemplada de alguém. É importante garantir que os dados da cota estão corretos, e que a transferência será de fato feita, antes de realizar qualquer pagamento.
– Contemplação é diferente de quitação: Algumas pessoas tentam vender ou revender o consórcio ativo ou contemplado, dizendo que “contemplou, quitou”, ou seja, a pessoa que está sendo enganada passa a acreditar que, comprando uma cota contemplada, ela já está quitada, o que não é verdade. Embora você possa dar um lance de contemplação que também quite o consórcio, caso o lance seja menor do que o saldo devedor ou você tenha sido contemplado por sorteio, ainda precisará pagar as parcelas restantes. A contemplação não isenta do pagamento do restante do consórcio. O cliente deverá continuar a pagar as prestações, e o bem adquirido ficará em garantia.
– Consórcio “sem juros”: Muitas pessoas tentam passar a impressão de que o consórcio é muito mais vantajoso que o financiamento, por ser uma compra “sem juros”. Na verdade, a conta não é simples como parece. No consórcio, existem outras questões a serem levadas em conta, como a taxa de administração e em quanto tempo você conseguirá contemplar sua cota, entre outros fatores.
– Fazer um consórcio com uma empresa que não seja uma administradora autorizada pelo Banco Central: Esse é o famoso golpe da administradora-fantasma. As cotas são vendidas por alguém que não tem autorização nem estrutura para ser administradora de consórcio. No site da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios, é possível verificar a lista com mais de 120 administradoras conveniadas. Também é possível fazer a busca pela instituição no próprio site do Banco Central.
Fintech compra cotas de desistentes
Aqueles que desistem de um consórcio adquirido e preferem parar de pagar têm que esperar até o fim do ciclo para ter de volta o dinheiro investido, descontado as taxas. Para agilizar o acesso ao dinheiro, a Consorciei têm uma plataforma por meio da qual promove a compra das cotas de pessoas desistentes.
— Consórcio é produto longo, que dura de dez a 20 anos. Nesse tempo, sua vida muda. Você desiste de comprar o bem ou pode perder o emprego e não conseguir mais arcar com a despesa. Na maioria dos casos, as pessoas que desistem precisam do dinheiro imediatamente. Então, a gente faz essa compra, de forma on-line, sem a necessidade de assinar nenhuma documentação física — explica o sócio-diretor da Consorciei, Alexandre Gomes.
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