Mococa (SP) tem madrugada de assalto a bancos, tiroteio e pânico da população
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Mococa (SP) tem madrugada de assalto a bancos, tiroteio e pânico da população

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SÃO PAULO, SP, E GONÇALVES, MG (FOLHAPRESS) – Uma quadrilha fortemente armada atacou agências bancárias, atirou em lojas e em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) em Mococa (a 267 km da capital) na madrugada desta quarta-feira (7).

Um guarda municipal que estava na UPA sofreu ferimento leve na cabeça com estilhaços de vidro após a unidade de saúde ser atingida por tiros.

O prédio da UPA é vizinho ao da Polícia Militar e estava fechado no momento do ataque porque teve sua estrutura comprometida dias antes por um vendaval.

Em grandes assaltos, os criminosos fazem o cerco às estruturas das forças de segurança para diminuir o poder de reação da polícia e concretizar o roubo.

Porém, segundo a Polícia Militar, os disparos feitos pelos criminosos como forma de intimidação ficaram concentrados na UPA e não atingiram as instalações ou carros da corporação. Também não houve confronto entre criminosos e policiais.

Mascarados e atirando para cima e em direção ao comércio local, os criminosos usaram explosivos para roubar o cofre da Caixa Econômica Federal. Por nota, a Caixa disse que avalia os danos causados à estrutura da agência e que outras informações relacionadas ao roubo só serão repassadas à polícia.

Inicialmente, a PM disse que valores também teriam sido subtraídos da agência do Banco Mercantil do Brasil, mas a instituição bancária negou o fato. Na unidade do Santander, segundo a polícia, apenas uma porta foi estourada pelos criminosos.

O prefeito de Mococa, Eduardo Barison (PSD), acredita que a quadrilha já monitorava a agência da Caixa. “Ela foi a primeira a ser atacada e a mais destruída. Eles sabiam o local exato do cofre e o jeito certo para abri-lo com os explosivos”, disse Barison à reportagem.

Muito preparada, a quadrilha também fez uso de um drone, que foi avistado por moradores circulando sobre a praça central, para vigiar de forma panorâmica os principais acessos da cidade.

Os criminosos fugiram em ao menos oito carros com malotes de dinheiro. Para dificultar o cerco da polícia, o grupo espalhou pregos retorcidos por onde passou.

A tática de fuga muita usada no mundo do crime afetou ao menos dois carros da polícia, que tiveram seus pneus furados pelos pregos no km 264 da SP-340, rodovia que margeia Mococa.

CIDADE SITIADA

O volume de tiros disparados assustou os moradores da cidade de 68 mil habitantes. Nas redes sociais, fotos mostram um grande buraco aberto por um tiro disparado contra a UPA. “A tragédia poderia ter sido ainda maior se a unidade estivesse com pacientes”, disse Barison.

No meio da madrugada, quando os tiros eram ouvidos em toda Mococa, Barison usou as redes para fazer um apelo à população. “A cidade inteira parecia estar sitiada. Acordei com esses tiros e pedi para que ninguém saísse de casa enquanto a segurança não fosse restabelecida nas ruas”, conta o prefeito.

Barison também disse ter acionado o comandante da Polícia Militar da região.

Na manhã desta quarta, os moradores de Mococa encontraram as ruas do centro, região onde estão localizadas as agências atacadas, totalmente cercadas para a realização de perícia da Polícia Civil.

O médico veterinário Paulo Roberto Lima Dias, 51, conta que o barulho dos tiros disparados pela quadrilha se propagou por ao menos duas horas. “A cidade inteira ficou muito apreensiva com tudo o que aconteceu”, disse.

A quadrilha teria fugido, segundo a polícia, a partir de uma estrada vicinal que dá acesso ao Sul de Minas Gerais. Mococa está localizada a 10 km da divisa entre SP e MG.

Os criminosos teriam usado carros importados e estão circulando em comboio. Um porsche cayenne foi localizado pela polícia na estrada vicinal que liga Mococa ao distrito de Igaraí, de 5.000 habitantes. Uma land rover também utilizada pelo grupo criminoso já foi localizada.

Barison disse que pediu reforço policial ao governador de João Doria (PSDB) após o megarroubo. Por nota, a secretaria de Segurança Pública informou que tem investido na recomposição dos efetivos policiais, na capacitação dos agentes, em equipamentos e tecnologia para enfrentar as quadrilhas.

Os Batalhões de Ações Especiais da Polícia Militar de Piracicaba e Ribeirão Preto estão à procura dos criminosos e são apoiados pelas forças de segurança de Minas Gerais.

As investigações serão conduzidas em paralelo pelas polícias Civil e Federal.

ASSALTOS A BANCOS

Ações semelhantes ocorreram nos últimos meses em Criciúma (SC), Cametá (PA) e em cidades do interior de São Paulo, como Araraquara, Botucatu e Ourinhos.

Em Criciúma, a ação de pelo menos 30 criminosos, dez automóveis e armamento de calibre exclusivo das Forças Armadas, em novembro de 2020, foi considerado o maior roubo do tipo na história de Santa Catarina.

Os criminosos atacaram o 9º Batalhão da Polícia Militar com tiros nas janelas, bloqueio na saída com um caminhão em chamas e explosão acionada por celular. “Uma ação sem precedentes”, disse o tenente-coronel Cristian Dimitri Andrade, comandante do batalhão. A ação durou cerca de duas horas.

Em Cametá, homens fortemente armados cercaram o quartel da Polícia Militar, fizeram reféns, atacaram uma agência bancária da cidade com explosivos, atiraram para cima e provocaram pânico entre os moradores. Um refém morreu vítima dos criminosos.

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