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Diogo Mainardi deixa o Manhattan Connection após xingar Kakay

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O jornalista e escritor Diogo Mainardi, 58, anunciou nesta terça-feira (4) que pediu demissão do programa Manhattan Connection, da TV Cultura. Ele confirmou sua saída ao publicar texto no site O Antagonista.

“Desde a quarta-feira da semana passada, quando xinguei o lulista Kakay, a TV Cultura estava pressionando os produtores do Manhattan Connection, a fim de que tomassem alguma medida contra mim”, diz Mainardi.

“Para preservar o programa, resolvi pedir demissão, que foi aceita de bom grado pela diretoria da emissora. Fiz grandes amigos nesses 17 anos. Obrigado, Lucas, Caio, Pedro e Angélica. E vai tomar no cu, Kakay.”

Procurada, a TV Cultura disse que o “pedido de demissão de Diogo Mainardi do programa Manhattan Connection é um assunto interno da produtora”. “A TV Cultura lamenta o ocorrido e deseja sucesso ao profissional.​”

A saída do jornalista acontece seis dias depois de Diogo Mainardi agredir verbalmente o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay. ​

No dia seguinte à exibição do programa em que Mainardi xinga Kakay, a Cultura afirmou que havia acionado a produtora do Manhattan Connection para que medidas fossem tomadas. “A TV Cultura não concorda com o ocorrido e já tomou providências junto à empresa produtora do Manhattan Connection”, dizia, em nota.

No dia 28 de abril, o Manhattan Connection trouxe a participação de dois convidados. Na primeira parte, o apresentador e humorista Fábio Porchat, 37, abordou a liberdade de expressão. Na sequência foi a vez do advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, que debateu sobre as últimas decisões do STF (Supremo Tribunal Federal).

No final da edição, Mainardi xingou o advogado com palavras de baixo calão. “Como diria Olavo de Carvalho, vai …”, disse o jornalista, que teve a fala cortada por um sinal. Na leitura labial, porém, é possível identificar a frase “vai tomar no cu”.

A declaração aconteceu após Lucas Mendes, âncora do programa, agradecer a presença de Kakay no programa. Pedro Andrade e Caio Blinder compunham a bancada da atração.

Em sua coluna no site O Antagonista, Diogo Mainardi afirmou que o xingamento se referia a algo que havia sido dito na primeira parte do programa. “O ‘convidado’ era Kakay, que durante o programa vaticinou a prisão de Sergio Moro. O xingamento era uma referência singela a algo que foi dito na primeira parte do programa, por Fábio Porchat.”

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Lucas Mendes, 76, defendeu Diogo Mainardi. De acordo com o apresentador, a fala de Mainardi foi tirada de contexto por um corte feito em outro momento do programa. Na primeira parte, Fábio Porchat, 37, que também era convidado da atração, abordou a liberdade de expressão.

Foi o humorista quem primeiro falou sobre Olavo de Carvalho e o relacionou ao xingamento dito mais tarde por Mainardi. “Neste caso, foi cortada uma parte que estava ligada à segunda que ficou. E gerou a fedentina”, explicou Mendes

Mendes disse que só soube do corte da primeira parte ao ver a repercussão após a exibição do Manhattan Connection. Antes, disse o jornalista, havia recebido uma ligação da TV Cultura e da produtora do programa perguntando se poderiam cortar a fala de Mainardi.

“A Cultura cortou e o [xingamento] de Diogo ficou gratuito”, comenta. “Esse problema de corte pode ter consequências que você não imagina. Se cortou o c… do Porchat corta o c… do Diogo (risos). O bode seria menor.”

Após a publicação da entrevista, Lucas Mendes entrou em contato com a Folha de S.Paulo novamente e disse que errou ao culpar a TV Cultura pelo corte que teria tirado de contexto a fala de Mainardi. Segundo afirmou, o momento a que ele se referia permaneceu no programa. Mendes reafirma que ele próprio foi quem pediu que o xingamento de Mainardi não fosse cortado.

“Por isto eu não peço desculpas”, afirmou. “Assumo a culpa, mas as informações que dei sobre o corte do Leão Serva [diretor de jornalismo da TV Cultura] merecem todas as desculpas possíveis.”

Em nota, Kakay se manifestou sobre o tratamento recebido no Manhattan Connection. “Nunca o grande Manoel de Barros foi tão lembrado por mim como no debate de ontem: ‘Só uso as palavras para compor meus silêncios’. Não serei eu, em nenhuma circunstância, que irei censurar a fala de um ‘humorista, como o Mainardi, que abusou do direito de ser indelicado e agressivo no programa. Ele merece meu mais profundo desprezo.”

“No final, ele se mirou em um de seus ídolos, o tal Olavo de Carvalho, e me agrediu verbalmente. Durante todo o programa, ficava reclamando, mas sem conseguir se manifestar de maneira clara e com um raciocínio lógico”, prossegue.

“Talvez ele precise de tratamento para superar a queda e a desmoralização dos seus ídolos, como insinuou [Fernando] Haddad quando foi ao programa, ou talvez seja mesmo só essa figura patética e decadente”, diz.

“O Brasil é um país triste hoje em dia por ter um presidente do nível de [Jair] Bolsonaro. O tal Diogo finge que é um crítico de Bolsonaro, mas são pessoas do mesmo naipe. Ele, Olavo, [Sergio] Moro e Bolsonaro se merecem. Eu fico com o grande Mário Quintana: ‘Eles passarão, eu passarinho’.”

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