Quem é Lina Bo Bardi, estrela da Bienal de Veneza que Mario Frias não conhece
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Durante a abertura do pavilhão brasileiro da 17ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, ocorrida nesta quinta (20), o secretário especial da Cultura, Mario Frias, disse –em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo– desconhecer a ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, que está sendo celebrada no evento com o prêmio Leão de Ouro.
A declaração do secretário causou indignação nas redes sociais, porque Bo Bardi, além de ser a grande estrela desta Bienal, é um dos maiores nomes da arquitetura brasileira do século passado.
Em nota, publicada quando o Leão de Ouro foi anunciado, Hashim Sarkis, curador do evento, disse que “se há uma arquiteta que representa adequadamente o tema da Bienal deste ano [‘Como Viveremos Juntos?’], é Lina Bo Bardi”.
“Sua carreira como designer, editora, curadora e ativista nos lembra o papel do arquiteto como organizador e, principalmente, como construtor de visões coletivas. Lina Bo Bardi também exemplifica a perseverança da arquiteta em tempos difíceis, sejam guerras, conflitos políticos ou imigração, e sua capacidade de permanecer criativa, generosa e otimista o tempo inteiro”, afirmou Sarkis.
A arquiteta se destacou com obras que são lidas tanto como arte erudita quanto arte popular. E se engana quem pensa que Bo Bardi fez apenas grandes edifícios. Ela produziu diversos desenhos, artefatos e instalações.
Muitas de suas obras, aliás, foram criadas a partir de itens que encontrava no lixo. Para ela, estas peças eram o ponto de partida para a construção de uma cultura autenticamente brasileira.
Nascida em Roma, em 1914, a italiana se mudou para São Paulo, aos 32 anos. Na capital paulista, ganhou notoriedade com projetos como o icônico cartão-postal Masp, o Museu de Arte de São Paulo, a modernista Casa de Vidro, onde viveu até o fim da vida, o Sesc Pompeia e o Teatro Oficina.
Foi Bo Bardi também quem criou a revista artística Habitat, que integrava um projeto do Masp, instituição então dirigida por Pietro Maria Bardi, marido da arquiteta. A publicação veiculava imagens da arte e do design modernos, além da chamada arte popular.
Outro destaque do Masp atrelado à ítalo-brasileira foi o assento dobrável de auditório feito de madeira e couro, considerado a primeira cadeira moderna do Brasil.
Em 1948, Bo Bardi cofundou o Studio d’Arte Palma, conhecido pela produção manufatureira de móveis de madeira.
No final da década seguinte, a arquiteta assumiu a direção do Museu de Arte Moderna da Bahia e fez o restauro Solar do Unhão, localizado em Salvador.
Segundo Sarkis, os projetos dela se destacam pela união entre arquitetura, natureza, vida e comunidade, através de seus desenhos e formas. “Em suas mãos, a arquitetura se torna verdadeiramente uma arte social.”
Bo Bardi morreu em 20 de março de 1992, aos 78 anos, devido a uma embolia pulmonar. Sua carreira é mundialmente consagrada e, agora, está sendo celebrada na Bienal de Veneza, apesar do desconhecimento de Mario Frias.
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