OMS recomenda medicamentos de Roche e Sanofi para reduzir risco de morte por Covid
Por John Miller
ZURIQUE (Reuters) – A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou nesta terça-feira o uso dos medicamentos para artrite Actemra, da Roche, e Kevzara, da Sanofi, com corticosteróides, para pacientes com Covid-19, depois que dados de cerca de 11 mil pacientes mostraram que os dois remédios reduzem o risco de morte. Um grupo da OMS que avalia terapias concluiu o tratamento de pacientes graves e críticos com Covid-19 com os chamados antagonistas à interleucina-6, que bloqueiam a inflamação, “reduzem o risco de morte e a necessidade de ventilação mecânica”. De acordo com a análise da OMS, o risco de morte em 28 dias para pacientes que recebem um dos medicamentos para artrite com corticosteroides, como a dexametasona, é de 21%, em comparação com um risco presumido de 25% entre aqueles que recebem o tratamento padrão. Para cada 100 desses pacientes, mais quatro sobreviverão, disse a OMS. Além disso, o risco de a doença progredir para ventilação mecânica ou morte foi de 26% para aqueles que receberam os medicamentos e corticosteroides, em comparação com 33% para aqueles que receberam o tratamento padrão. A OMS disse que isso significa que para cada 100 desses pacientes, mais sete sobreviverão sem ventilação mecânica. “Atualizamos nossa orientação de tratamento clínico para refletir esse desenvolvimento mais recente”, disse Janet Diaz, autoridade do Programa de Emergências Sanitárias da OMS. A análise envolveu 10.930 pacientes, dos quais 6.449 receberam um dos medicamentos e 4.481 receberam o tratamento padrão ou um placebo.
O estudo foi feito com o King’s College, de Londres, a Universidade de Bristol, a Universidade College London e o Guy’s and St Thomas’ NHS Foundation Trust, e publicado nesta terça-feira na revista especializada Journal of the American Medical Association. A Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) emitiu na semana passada a aprovação do uso emergencial da Actemra para tratar pacientes com Covid-19. Isso depois que seu uso off-label na pandemia aumentou as vendas em cerca de um terço, para aproximadamente 3 bilhões de dólares em 2020. As vendas de Kevzara aumentaram 30% no ano passado, informou a Sanofi. Ainda assim, o teste de Actemra e Kevzara para tratar pacientes com Covid-19 envolveu tentativa e erro, pois várias falhas surgiram quando as empresas testaram os medicamentos em diferentes grupos de pacientes. A OMS também pediu mais ações para aumentar o acesso a esses medicamentos nos países de renda mais baixa que agora enfrentam um aumento no número de casos de Covid-19 e novas variantes do vírus, juntamente com suprimentos inadequados de vacinas. “Essas são as pessoas que esses medicamentos precisam alcançar”, disse Diaz.
(Por John Miller em Zurique e Emma Farge em Genebra)
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