Escolas se preparam para volta às aulas presenciais; entenda desafios
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Escolas se preparam para volta às aulas presenciais; entenda desafios

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Escolas se preparam para volta às aulas presenciais; entenda desafios Pela primeira vez desde o início da pandemia, o Brasil está perto da reabertura maciça de suas escolas públicas. A partir de agosto, apenas uma rede estadual e três municipais entre as capitais manterão aulas exclusivamente a distância. A abertura do segundo semestre letivo em 2021 é o início de um longo processo de recuperação de aprendizagem após mais de 13 meses de escolas fechadas.

As estratégias para a recuperação do conteúdo que as crianças não aprenderam já estão sendo postas em prática. E Niterói é uma das cidades que se organizou para fazer essa recuperação com estratégias presenciais e remotas combinadas. O município já treina os professores, distribuirá tablets aos estudantes e contratou estagiários para auxiliar os docentes no ensino remoto e nas aulas de reforço. Além disso, investiu R$ 500 por estudante para a volta.

— Vamos abrir no próximo mês a Casa de Avaliação e Formação, inspirada em exemplo similar em Sobral (CE), para acompanhar o desempenho de cada aluno da rede e também garantir a formação continuada dos professores — afirma Vinícius Wu, secretário de Educação da cidade.

Na avaliação de especialistas, o processo levará até três anos e dependerá de esforços ainda maiores do que os despendidos antes da pandemia.

— Não podemos fazer um pacto de mediocridade em que as redes fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem — diz Denis Mizne, diretor-executivo da Fundação Lemann.

Denis Mizne defende um tripé de ações fundamentais para esse momento: ter boa comunicação com as famílias para o retorno presencial das crianças, garantir um acolhimento seguro e carinhoso a professores e alunos depois de um período coletivamente traumático e realizar um bom processo de avaliação dos alunos.

— É preciso saber de que modo cada aluno voltará. Alguns conseguiram estudar, outros tiveram ajuda dos pais, e há os que não tiveram nada. É preciso saber como está cada um para a escola agir — destaca.

Mizne ainda chama atenção para o problema que a pandemia escancarou: a deficiência da conexão digital de alunos e de escolas das redes públicas. Para ele,é urgente a realização do leilão 5G com a decisão de qual empresa vai implementar essa tecnologia no país, levando essa conexão de qualidade aos colégios.

Carga horária em discussão

A ampliação do ensino integral (cerca de sete horas de estudos diários na escola) também deveria ser prioridade, defende o diretor da Fundação Lemann.

— Sete horas na escola de educação integral é o normal nos outros países. Proponho que a gente passe a chamar essa quantidade de tempo de escola e o restante (em geral quatro e cinco horas diárias de aula) de meia-escola — afirma Mizne.

Professor da Universidade de Columbia, em Nova York, e coordenador do grupo Ciências da Aprendizagem Brasil, Paulo Blikstein concorda e diz que é preciso buscar soluções criativas para tornar a escola atraente.

— É preciso conectar o aluno com a comunidade em que ele vive, com projetos de investigação, pesquisas para resolver problemas e desafios, sem ser mais do mesmo — reforça Blikstein. Fonte: Extra Globo

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