Dólar devolve perdas em linha com exterior e incertezas domésticas
O dólar deixou para trás nesta terça-feira as perdas registradas na esteira de dados mais fracos sobre inflação norte-americana, acompanhando piora no apetite internacional por risco, enquanto a conjuntura política doméstica mantinha o real sob pressão.
Às 11:24, o dólar avançava 0,13%, a 5,2305 reais na venda, depois de ir a 5,2533 reais na máxima do pregão.
Mais cedo, a divisa norte-americana chegou a ser negociada em território negativo. Na mínima do dia, atingida pouco depois das 9h30, o dólar caiu 0,47%, a 5,1990 reais na venda, após o Departamento do Trabalho norte-americano informar que o núcleo dos preços ao consumidor nos Estados Unidos subiu no ritmo mais lento em seis meses em agosto.
No exterior, Wall Street abriu em alta e o índice do dólar chegou a cair 0,32% na esteira dos dados –que poderiam reforçar expectativas de que o Federal Reserve terá paciência ao reduzir estímulos–, mas os principais índices norte-americanos já devolveram seus ganhos e a moeda norte-americana mostrava baixa de apenas 0,08% contra uma cesta de rivais fortes [.NPT].
Enquanto isso, o cenário doméstico segue impondo incertezas em várias frentes, segundo especialistas.
Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Órama Investimentos, ressaltou que “ano que vem é ano eleitoral, um especialmente complicado. O país está muito rachado, e, historicamente, em anos eleitorais, o dólar sobe”.
Para o economista, um dólar entre 5,20 e 5,30 reais é “razoável” para o momento presente, mas a divisa pode buscar os 5,50 reais no ano que vem, em meio ainda a dúvidas sobre como será resolvida a conta de precatórios para 2022 e como caminhará a agenda de reformas do governo.
“A volatilidade está abrindo (aumentando), e mercado e incerteza não combinam”, completou.
No radar nesta terça-feira também estava a notícia de que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o BC provavelmente terá que atuar no câmbio por causa de demanda associada ao desmonte do “overhedge” (proteção cambial adicional dos bancos) no fim do ano.
Na véspera, a moeda norte-americana negociada no mercado interbancário caiu 0,84%, a 5,2236 reais na venda.
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