160 mil pessoas esperam análise de solicitações feitas no INSS
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160 mil pessoas esperam análise de solicitações feitas no INSS

Pente-fino do INSS em 15 pontos principais

160 mil pessoas esperam análise de solicitações feitas no INSS Problemas vão desde pedidos de aposentadoria que não saem, até segurados que esperam há anos para receber o benefício. INSS diz que é importante manter e-mails e telefones atualizados e acompanhar o andamento dos requerimentos.

Mais de 160 mil pessoas, só no estado do Rio de Janeiro, esperam análise de pedidos do INSS. Os problemas vão desde pedidos de aposentadoria que não saem, até segurados que esperam há anos para receber o benefício.

Há seis anos, Aledice da Silva Amaral junta numa pasta todos os documentos para tentar conseguir a aposentadoria pelo INSS. A quantidade de protocolos de ligação estão anotados em várias folhas. Hoje, aos 71 anos, a única fonte de renda dela é o valor que recebe do Bolsa Família: R$ 91.

“Eu estou fazendo brechó, eu não posso mais costurar porque não aguento, minha vista está ruim. Meu colírio é R$ 260 e eu não estou comprando. Eu estou nessa dificuldade. A única coisa que eu quero é receber o dinheiro que eu acho que tenho direito”, disse Adelice.

A primeira vez que ela deu entrada no pedido de aposentadoria ainda faltava tempo de contribuição. Logo que completou a idade, ela voltou a fazer a solicitação no INSS. Mas quando descobriu que tinha conseguido o benefício já era tarde. A aposentadoria foi liberada em abril de 2020, não foi informada e quando ela descobriu, em agosto, o benefício tinha sido bloqueado.

“Falei com a minha vizinha e ela disse que a filha ia ver no computador para mim. Aí, ela falou: sua aposentadoria saiu, isso foi em novembro de 2020. A tua aposentadoria saiu e você foi bloqueada em agosto. Aí eu falei: não é possível. Como que eu vou saber se não recebi comunicado, não recebi nada? O número do telefone estava errado. Nesse aguardar eu estou aguardando faz um ano, esse mês faz um ano que me bloquearam”, contou Adelice.

Deficiente auditivo

Para Wilson Ribeiro Júnior, a espera já dura dois anos. Ele é deficiente auditivo e tem a visão reduzida. Ele deu entrada no pedido de benefício de prestação continuada em 2019.

“Dia 15 de março de 2021, eu fiz avaliação social, dia 22 de março eu fiz a perícia. Para minha surpresa, eles remarcaram novamente uma perícia. Aí, depois de tanto reclamar na ouvidoria e na mídia, eles em vez de me darem a resposta, porque o cartão chegou, mas o dinheiro nunca está na conta, eles remarcam tudo novamente, a avaliação social”, disse Wilson.

Agora, ele precisa esperar mais seis meses para fazer uma nova perícia. “Agora, no dia 9 de fevereiro de 2022. Quero só que saia o meu benefício, que está preso até agora. E não remarcar como foi remarcada a perícia. Isso aqui é tudo que já fiz várias vezes”, disse Wilson.

Assim como Adelice e Wilson, outras mais de 160 mil pessoas aguardam a análise de pedidos do INSS em todo o estado. E a demora na liberação impacta diretamente a vida das pessoas, que muitas vezes não têm outra fonte de renda.

Em fevereiro, o Supremo Tribunal Federal validou, por unanimidade, um acordo entre o Ministério Público Federal e o INSS, que prevê prazos entre 30 e 90 dias para as perícias médicas, conforme o tipo de benefício solicitado.

Mas, na prática, não é isso que acontece. Maria Amélia está pedindo revisão da pensão desde 2019. “Desde 2019 que eu estou para pedir a revisão da minha pensão, do meu marido, e até agora nada. Sempre está na análise, e até agora nada. Eu estou aguardando”, disse a pensionista.

O aposentado João Carlos Almeida ainda aguarda o pagamento da aposentadoria. “Após pagar 35 anos e cinco meses de contribuição no INSS, eu não tive meu direito respeitado. Estou há 30 meses aguardando minha aposentadoria”, disse Almeida.

A longa espera também faz parte da vida de Márcia Cristina de Souza, que deu entrada no benefício para a filha Bianca Miranda, em 2019.

“Foi liberado, pela União, R$ 600 e depois, a própria União cortou o valor que eles deram. Ainda falaram que acharam que foi fraude nossa. Infelizmente, até hoje não conseguimos receber esse benefício, eu preciso comprar os remédios da minha filha”, disse Márcia Cristina.

O que diz o INSS

O INSS informou que o benefício de Aledice Amaral foi suspenso por um procedimento de segurança e os requerimentos dela estão em análise. E serão concluídos obedecendo a ordem cronológica de entrada.

Informou também que a avaliação social de Wilson Ribeiro Júnior já foi agendada.

No caso de Bianca Miranda, foi solicitada remissão do pagamento e ela deve acompanhar a liberação dos créditos.

Segundo o INSS, o benefício de João Carlos Almeida foi concedido e o pagamento dos atrasados estarão disponíveis em até 20 dias. O pedido de Maria Amélia está em fase final de análise.

O INSS destacou que é preciso manter os contatos de e-mail e telefone atualizados, além de acompanhar o andamento dos requerimentos pelo site Meu INSS ou pela central telefônica 135. Fonte: G1

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