Quem ganha acima do teto do INSS precisa ter um novo planejamento
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Quem ganha acima do teto do INSS precisa ter um novo planejamento

Planejamento de aposentadoria: a importância do planejamento previdenciário

Quem ganha acima do teto do INSS precisa ter um novo planejamento O país tem um sistema de previdência complementar sólido e essa é uma das áreas em que o Brasil tem feito progressos importantes nos últimos 25 anos.

O país tem um sistema de previdência complementar sólido e essa é uma das áreas em que o Brasil tem feito progressos importantes nos últimos 25 anos.

Em encontros anteriores que tive com os leitores neste mesmo espaço, tentei expor algumas questões que por vezes não ficam claras para quem acompanha a temática previdenciária com certo distanciamento, como é o caso, imagino, da maioria das pessoas.

Nesse sentido, expliquei que não há, realisticamente, como esperar no Brasil que o sistema no qual o INSS opera seja substituído por um sistema de capitalização.

Não gostaria, porém, que esse esclarecimento seja entendido como um desestímulo à formação de uma previdência complementar pelas pessoas. Muito pelo contrário, sou um entusiasta dela. Apenas é importante, como o nome indica, entender que ela é um instrumento, justamente, complementar à aposentadoria oficial.

O Brasil tem um regime de aposentadoria, com base no INSS, com um teto arredondado da ordem de R$ 6,5 mil. Uma pessoa que ganha abaixo disso espera-se que contribua para a Previdência até o limite do seu salário — multiplicado pela alíquota contributiva, claro — de modo que, ao se aposentar, com o ajuste associado ao número de anos de contribuição, tenha uma aposentadoria com um valor próximo da média dos salários de contribuição.

Ao mesmo tempo, na inatividade cessará a contribuição ao INSS, de modo que, para remunerações brutas iguais, o valor líquido deixará de ser afetado pelo desconto.

O fato é que, nessas circunstâncias, realisticamente, quem ganha até o teto do INSS no mercado formal tende a não ter que se preocupar em ter uma renda complementar — algo perfeitamente compreensível — que, em geral, não chega a ser necessária para que a pessoa preserve seu nível de vida.

Isso muda quando a pessoa recebe uma remuneração que excede o teto do INSS. Alguém que ganha por mês R$ 7 mil talvez não tenha maiores incentivos a contribuir todos os meses para uma previdência complementar, pois, afinal de contas, o teto do INSS não é muito distante desse valor.

Porém, se a pessoa ganha R$ 13 mil, por exemplo, nesse caso terá que pensar duas vezes antes de optar por não programar uma renda complementar futura, pois ao se aposentar, na melhor das hipóteses, sua renda cairá para a metade. Ela sabe e está disposta a isso? São perguntas cruciais para tomar uma decisão.

No país em que vivemos, marcado pelos escândalos, as queixas que ouço, nas minhas palestras, associadas à desconfiança das pessoas em contribuir para a previdência complementar, são sempre: i) os problemas com montepios nos anos 70 (essas queixas, no caso, mais antigas, tendo praticamente desaparecido nos últimos anos); ii) o Aerus, da Varig; e, recentemente, iii) o Postalis.

São casos nos quais, indiscutivelmente, o governo falhou ao não proteger adequadamente os participantes e não evitar que grupos específicos de pessoas tivessem prejuízos dramáticos, que infernizaram a sua vida, exatamente na fase da vida em que o apoio financeiro era mais importante.

Embora sensibilizado por esses casos — até porque um deles, por razões familiares, acompanhei de perto — meu argumento em defesa do sistema de previdência complementar se baseia em 4 pontos: a) o primeiro desses casos ocorreu há quase 50 anos, não guardando qualquer relação com a situação atual; b) Aerus e Postalis foram casos graves, não há como negar, mas foram 2 em 250 fundos.

Assim, não ter uma previdência complementar por esses problemas equivale a não viajar de avião porque o Brasil teve 3 grandes tragédias aéreas nos últimos 30 anos; c) o ambiente regulatório melhorou muito no Brasil nos últimos anos, com o aprimoramento dos órgãos de supervisão; e d) para quem aplica em PGBL e VGBL, esses receios não se aplicam e essas são alternativas que têm se consolidado com grande sucesso no mercado.

Em resumo, o país tem um sistema de previdência complementar sólido e essa é uma das áreas em que o Brasil tem feito progressos importantes nos últimos 25 anos. Quem ganha acima de R$ 6,5 mil por mês deve pensar nessas questões — preferencialmente, desde cedo. Fonte: G1

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