Hospital de Londres pode perder 1.000 funcionários que não aceitam se vacinar
GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) – O decreto da obrigatoriedade da vacina contra a Covid para trabalhadores do sistema público de saúde do Reino Unido, o NHS, acendeu alerta vermelho em vários gestores. Com hospitais saturados devido à alta de infecções, eles temem perder parte considerável da mão de obra com funcionários que não aceitam receber o imunizante.
O tamanho do problema fica mais claro à medida que se aproxima a data em que a norma entra em vigor –1º de abril. Somente o hospital King’s College, em Londres, por exemplo, pode perder 1.000 funcionários que não se vacinaram nem pretendem se vacinar, disse o professor Clive Kay, chefe do hospital, em entrevista ao programa Sunday Morning, da rede britânica BBC, neste domingo (9).
Kay afirmou que a direção do hospital trabalha com urgência para encorajar os funcionários a se imunizarem, de modo a evitar a perda de pessoal no momento em que a capital assiste a um pico de novos casos devido à variante ômicron, altamente contagiosa. Dos 14 mil trabalhadores do local, 10% ainda não completaram o esquema vacinal.
A obrigatoriedade da vacinação para os trabalhadores da saúde foi anunciada pelo governo do premiê Boris Johnson em dezembro. Sajid Javid, secretário de Saúde, disse que a medida se justificava porque médicos e enfermeiras têm a responsabilidade de manter seus pacientes seguros e que estava dando 12 semanas para que todos pudessem ter tempo de tomar as duas doses do imunizante.
A norma também recebeu luz verde do Parlamento britânico ainda naquele mês, por 385 votos favoráveis a 100 contrários, mas logo começou a ser questionada por sindicatos da área, que alegavam medo do êxodo profissional que isso poderia provocar.
Projeta-se que 90% dos funcionários do NHS tenham recebido as duas doses da vacina, mas um contingente considerável de 103 mil trabalhadores, não. Há hospitais em que somente 80% do pessoal completou o esquema de vacinação, diz o governo.
A situação virou ponto crítico devido ao efeito cascata observado: com a alta de casos, cada vez mais funcionários ficam doentes e são afastados do trabalho, o que sobrecarrega ainda mais os hospitais.
O número de trabalhadores afastados do NHS devido à Covid cresceu cerca de 60% na primeira semana de janeiro, em relação à semana anterior, segundo a revista Nursing Times, e o governo chegou a convocar as Forças Armadas, que enviaram 200 militares para ajudar os hospitais nas próximas três semanas.
O Reino Unido é um dos países mais afetados pela ômicron e, desde dezembro, tem registrado recordes consecutivos de novos casos. A média móvel de infecções neste sábado (8) foi de 176 mil –o recorde fora registrado dias antes, na quarta-feira (5), com 182 mil. O país soma 14,3 milhões de casos desde o início da pandemia.
Já o número de mortes, ainda que com leve aumento nas últimas semanas, não registra a mesma alta da cifra de infecções –algo assegurado pelo avanço da imunização, segundo os especialistas. Ainda assim, o Reino Unido ultrapassou a marca de 150 mil mortos em decorrência da Covid neste sábado, tornando-se o sétimo país do mundo a fazê-lo, depois de Estados Unidos, Brasil, Índia, Rússia, México e Peru.
Quando visitou o hospital King’s College na última semana, o secretário de Saúde Sajid Javid foi provocado por um dos presentes. Ele questionou os funcionários sobre o que achavam da obrigatoriedade da vacina, até que um médico contrariou as expectativas da resposta: “Eu não fui vacinado, nem quero ser vacinado”.
O funcionário disse que se recusa a receber o imunizante porque acredita que tenha imunidade natural, uma fez que já teve o coronavírus, e pediu que o secretário reconsiderasse a obrigatoriedade da vacina. Javid tenta ignorar o comentário e joga a pergunta para outras pessoas presentes, que não o respondem. Ele, então, se limita a dizer que respeita a opinião, mas que o governo está sendo aconselhado pelos melhores especialistas da área. As cenas foram registradas pelo canal Sky News.
O Reino Unido possui mais de 18 mil pacientes hospitalizados com Covid, sendo que 868 deles precisam de ventilação mecânica, segundo dados do governo. Até o momento, 82,9% da população maior de 12 anos recebeu as duas doses da vacina, e 61,7% já tomaram a dose de reforço.
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