Ibovespa tem alta descolada de NY e anota melhor semana desde março
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Ibovespa tem alta descolada de NY e anota melhor semana desde março

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Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) – O principal índice da bolsa brasileira subiu forte nesta sexta-feira, encerrando sua melhor semana desde o início de março, em movimento descolado de Wall Street.

As ações do setor bancário e os papéis da Petrobras foram os principais suportes para o índice local na sessão.

O Ibovespa subiu 1,33%, para 106.927,79 pontos. Na semana, o índice acumulou ganho de 4,1%, melhor desempenho desde a semana encerrada em 5 de março do ano passado. O volume financeiro foi de 26,1 bilhões de reais.

O Dow Jones cedeu nesta sexta-feira em Nova York, após divulgação de balanços por grandes bancos incluindo JPMorgan e o Citigroup, enquanto o Nasdaq Composite e o S&P 500 fecharam no azul. Os três índices fecharam a semana no negativo.

Segundo Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos, o desempenho do Ibovespa nos últimos pregões frente às bolsas norte-americanas pode ser explicado por um movimento de rotação, com investidores reduzindo posições em empresas de crescimento, como tecnologia, para alocar em empresas de valor, como bancos e exportadoras.

O movimento ocorre diante da expectativa por alta de juros nos EUA nos próximos meses, o que afetaria mais as empresas de que dependem de financiamento. Como o Ibovespa tem relevante participação de bancos e empresas relacionadas às commodities, o índice local acaba sendo mais beneficiado, explica ele.

Além disso, a recuperação de papéis que, na visão de Villegas, estavam descontados, como de construtoras e de shoppings, além da falta de notícias políticas internas de maior peso no mercado também ajudaram no desempenho positivo, de acordo com o analista.

Internamente, as vendas no varejo no Brasil expandiram 0,6% em novembro na comparação com o mês anterior, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A expectativa de analistas em pesquisa da Reuters era de recuo de 0,2%. O dado vem um dia após o volume de serviços também superar as projeções do mercado.

Ainda assim, diz Villegas, esses “dados parecem ser atrasados”, já que desde novembro a taxa Selic voltou a subir, o que deve afetar os dois setores, e houve a propagação da variante Ômicron, também de potencial impacto na atividade econômica.

DESTAQUES

– BRMALLS ON disparou 7%, após rejeitar proposta de fusão enviada pela rival ALIANSCE SONAE, cujas ações avançaram 2,3%. A brMalls disse que a proposta “subavalia, consideravelmente, o valor econômico justo” da companhia e de seu portfólio de ativos. Apesar disso, a brMalls segue aberta a discutir uma possível operação de fusão ou aquisição, disse uma fonte próxima às negociações à Reuters.

– PETROBRAS PN subiu 3,7%, para 31,45 reais, e está próximo das máximas históricas do papel, enquanto ON teve alta de 2,1%. O petróleo Brent subiu 1,9%, impulsionado por restrições de oferta e temores de um potencial ataque russo na Ucrânia. A estatal ainda informou redução na meta de produção de 2022.

– INTER UNIT saltou 7,9%, após leilão de ações da empresa nesta sexta-feira. Notícias citam venda de 30 milhões de papéis por acionista.

– VALE ON subiu 0,6%, apesar de queda nos preços do minério de ferro na China. Siderúrgicas tiveram desempenho misto.

– BANCO DO BRASIL ON subiu 2,6%, SANTANDER BRASIL UNIT avançou 1,1%, BRADESCO PN ganhou 1,6%, enquanto ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,8%. Movimento ocorreu em meio à divulgação de relatórios por analistas sobre o setor e diante de movimento de rotação de papéis.

– MINERVA ON subiu 1,7%, após anunciar que avalia migrar sua base acionária para o exterior. A empresa está inclinada a mudar para a norte-americana Nasdaq, disse à Reuters uma fonte próxima à companhia.

– MAGAZINE LUIZA ON subiu 3,9% e AMERICANAS ON avançou 2,4%, enquanto VIA ON cedeu 0,5%, após dado de varejo surpreender positivamente.

– LOCAWEB ON cedeu 4,1%, sua terceira baixa consecutiva, enquanto POSITIVO ON caiu 3,9%.

– CAMIL ON, que não está no Ibovespa, afundou 9,6%, maior queda em uma sessão do papel desde que entrou na bolsa em 2017, após divulgar balanço financeiro.

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