Após encontro com Lula, França diz que PT e PSB devem estar juntos em SP
SÃO PAULO — Após uma reunião de duas horas com o ex-presidente Lula na tarde desta terça-feira, o ex-governador Márcio França disse acreditar que PT e PSB estarão juntos na eleição para o governo de São Paulo. Os petistas pretendem lançar o ex-prefeito Fernando Haddad para o governo do estado, cargo também pretendido por França.
— O presidente (Lula) compreendeu os meus argumentos. Naturalmente, o PSB tem uma tendência já consolidada de caminharmos juntos (com o PT) no Brasil, e em São Paulo, ele (Lula) vai conversar com Haddad e a Gleisi, e acho que vamos estar juntos — afirmou França.
Na segunda-feira, França havia dito ao blog da Andréia Sadi, no G1, que a decisão sobre quem será o candidato a governador de São Paulo caberá a Lula. Mesmo assim, na reunião desta terça-feira, o ex-governador insistiu que a definição entre ele e Haddad deve ocorrer com base em pesquisas de intenção de voto.
França argumentou também acreditar ter condições de alcançar um espectro mais amplo do eleitorado, principalmente no interior do estado, onde a rejeição ao PT é maior.
Apesar de não alimentar grandes expectativas de ver o PSB em uma federação com o PT, Lula quer que a eleição de São Paulo reproduza a aliança feita no plano nacional.
Na segunda-feira, durante o lançamento da pré-candidatura do deputado Danilo Cabral (PSB) ao governo de Pernambuco, dirigentes e lideranças do PSB declararam que o partido apoiará Lula na corrida pelo Palácio do Planalto.
A aliança ocorrerá mesmo que as conversas para a formação de uma federação entre os dois partidos, com participações do PCdoB e do PV, não evoluam. A adesão do PSB é considerada difícil hoje.
No último fim de semana, surgiram dois novos impasses para o acordo. O PSB anunciou a filiação do atual governador da Paraíba, João Azevêdo, pré-candidato à reeleição. Os petistas do estado, liderados pelo ex-governador Ricardo Coutinho, já manifestaram, porém, apoio ao senador Veneziano Vital (MDB). Azevêdo havia sido eleito em 2018 com o apoio de Coutinho, então governador, mas os dois romperam logo no começo do governo.
No Espírito Santo, o PT lançou a pré-candidatura do senador Fabiano Contarato depois do atual governador, Renato Casagrande (PSB),receber o ex-juiz Sergio Moro, pré-candidato a presidente pelo Podemos.
Há ainda divergências no Rio Grande do Sul. O PT não abre mão da candidatura do deputado estadual Edgar Pretto e o PSB, do ex-deputado Beto Albuquerque.
Na avaliação de Lula, porém, um acordo em São Paulo sinalizaria um entendimento mais amplo entre as duas siglas e garantiria, no mínimo, uma aliança nos moldes tradicionais na eleição presidencial . Alckmin, por sua vez, espera um acordo entre Haddad e França antes de bater o martelo sobre a sua filiação. Os impasses que impedem a federação ficariam para ser discutidos mais para frente.
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