Acionistas da Berkshire olham para além de Warren Buffett e Charlie Munger
Por Jonathan Stempel e Carolina Mandl
OMAHA, EUA (Reuters) – Os acionistas da Berkshire Hathaway enfrentam uma questão que Warren Buffett procurou abordar na reunião anual da empresa: como a Berkshire se sairá quando ele não estiver mais por perto?
Buffett, talvez o maior investidor do mundo e com o poder de atrair fãs de todo o planeta, tem 91 anos. Seu vice-presidente de longa data, Charlie Munger, tem 98.
A Berkshire, cujas dezenas de negócios incluem a ferrovia BNSF, o seguro de carro Geico e muitas empresas de energia, manufatura e varejo, tem um plano de sucessão em vigor.
Greg Abel, 59, vice-presidente que supervisiona as operações não relacionadas a seguros, substituiria Buffett como presidente-executivo quando necessário, enquanto o vice-presidente Ajit Jain, 70, provavelmente continuaria liderando as operações de seguros.
O filho mais velho de Buffett, Howard, se tornaria presidente não executivo. E os gerentes de portfólio de Buffett, Todd Combs e Ted Weschler, assumiriam os investimentos.
Questionado por um acionista sobre como a Berkshire pode mudar ao longo do tempo, Buffett disse que seus negócios sobreviverão após a partida dele.
“Você tem um conselho de administração que entende que nossa cultura é 99,9% da administração do negócio”, disse ele. “Se tivermos a mesma cultura, estaremos aqui em 100 anos.”
Buffett prometeu que a Berkshire preservaria seu “relacionamento especial” com os acionistas e que ele foi construído para durar.
Ele reconheceu que pode haver mudanças na forma como a Berkshire opera, observando sua própria autonomia para tomar decisões importantes.
Buffett disse que Abel, por outro lado, pode enfrentar mais perguntas e restrições de outros membros do conselho porque eles o conhecem menos. “Eles não precisam, mas sentirão que têm de fazer.”
A Berkshire também pode enfrentar mais pressão para fazer melhor em questões ambientais e de diversidade e governança corporativa.
Buffett resistiu ferozmente aos pedidos de melhorias dos acionistas, uma batalha que alguns analistas consideram mais fácil de vencer na era pós-Buffett. Isso porque ele ainda controla 32% do poder de voto da Berkshire, apesar de possuir apenas 16% de suas ações. Ele já doou metade de suas ações para a filantropia.
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