Alckmin diz que receita de lula com chuchu combina ao anunciar chapa com Lula
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), pré-candidato a vice na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse neste sábado (7), no ato de lançamento da pré-candidatura dos dois ao Planalto, que “lula é um prato que cai bem com chuchu”, fazendo piada com seu apelido de “picolé de chuchu”.
“Obrigado, presidente Lula, por me dar o privilégio da sua confiança. Mesmo que muitos discordem da sua opinião de que lula é um prato que cai bem com chuchu (o que acredito venha ainda a se tornar um hit da culinária brasileira), quero lhe dizer, perante toda a sociedade brasileira: muito obrigado”, discursou.
O ex-governador, que deixou o PSDB em 2021 para se aproximar do ex-presidente e reforçar a proposta do petista de formar uma frente ampla de partidos contra a reeleição de Jair Bolsonaro (PL), já foi chamado de “picolé de chuchu” inclusive por Lula, que observou se tratar de “uma coisa insossa”.
Hoje aliados, os dois que se enfrentaram na eleição presidencial de 2006 ecoam a retórica de que o país vive um momento de crise excepcional sob Bolsonaro e que democratas precisam se unir para evitar a perpetuação do autoritarismo e do risco às instituições e à democracia.
Lula reforçou a brincadeira depois, dizendo que a combinação é extraordinária, será “o prato predileto de todo o ano de 2022 e se tornará o prato da moda no Palácio do Planalto a partir das eleições”.
Ele afirmou ainda que a chef de cozinha Bela Gil, que participava do ato como apresentadora e defende a alimentação natural, poderia “abrir um espacinho no restaurante dela só para servir lula e chuchu”.
Antes, instada a comentar a combinação, a partidária de Lula e hoje pré-candidata a deputada pelo PSOL riu e disse que o petista respeita os direitos do povo, “inclusive na alimentação, que, para além do chuchu, ele agora vai do churrasco de picanha ao churrasco de melancia”.
“É com muito orgulho que faço isso”, disse Alckmin sobre a aliança, destacando o respaldo de seu novo partido, mas reconhecendo que a dupla tem à frente uma “missão que não é simples nem modesta”. Ele falou que será “um parceiro leal” do ex-presidente e defendeu princípios como diversidade e solidariedade.
Lula, que discursou na sequência, disse ter certeza da lealdade do ex-governador, a quem chamou de companheiro, e afirmou que eles não sabiam o teor do discurso um do outro, mas deram provas de que estão afinados.
“Nós estamos pensando muito parecido”, disse o ex-presidente. Ambos vestiram figurinos similares terno escuro e camisa branca, sem gravata.
“Nada, nenhuma divergência do presente, nem as disputas de ontem, nem as eventuais discordâncias de hoje ou de amanhã, nada, absolutamente nada, servirá de razão, desculpa ou pretexto para que eu deixe de apoiar ou defender, com toda a minha convicção, a volta de Lula à Presidência do Brasil”, afirmou Alckmin.
Líder das pesquisas de intenção de voto para outubro, mas pressionado por aliados nas últimas semanas por tropeços de comunicação e problemas internos na coordenação da campanha, Lula leu o discurso em tom protocolar, em vez de falar de improviso, como vinha fazendo em suas aparições.
Com diagnóstico de Covid-19 recebido nesta sexta-feira (6), Alckmin não compareceu pessoalmente e participou por meio de vídeo ao vivo, exibido em um telão do evento, no Expo Center Norte, centro de convenções na zona norte da capital paulista.
“Números diferentes, quando somados, não diminuem de valor, pelo contrário, elevam a sua grandeza. Essa lógica aplica-se também à política. Disputas fazem parte do processo democrático, mas, acima das disputas, algo mais urgente e relevante se impõe: a defesa da própria democracia”, disse Alckmin.
“O desafio é grande, mas não desanimemos diante disso. Vamos nos animar para isso”, conclamou, descrevendo as próximas eleições como um perigo à democracia, em referência à eventual vitória de Bolsonaro. “Ele não é a primeira, a segunda ou a terceira via. Lula é a única via da esperança para o Brasil.”
Alckmin afirmou ainda que viu no convite de Lula “um gesto de reconciliação e um chamado à razão”, antes de emendar críticas a Bolsonaro e discursar em defesa da pacificação. “O que mais importa é aquilo que o Brasil precisa. O Brasil sobrevive hoje ao mais desastroso e cruel governo da sua história.”
Alckmin, que tomou três doses de vacinas contra a doença, está em isolamento por uma semana, com sintomas leves. Ele, que deixou o PSDB em dezembro após 33 anos para se filiar ao PSB e fechar o compor com o outrora rival, já havia aparecido ao lado do petista em outros eventos públicos desde o fim de 2021.
Sem o ex-governador no palco, acabou se frustrando o plano do comando petista de captar a imagem dos dois integrantes da chapa lado a lado, inaugurando a campanha.
A aliança com o ex-governador de São Paulo, alinhavada durante meses entre 2021 e 2022, é parte da estratégia de Lula de tentar unir forças políticas da esquerda à direita em nome do que seria uma frente ampla para derrotar Bolsonaro no pleito de outubro.
Com o mote “vamos juntos pelo Brasil”, o PT pretende traduzir a candidatura como um projeto do chamado campo democrático, e não só de Lula. A ideia é passar uma mensagem de unidade em torno da missão de brecar a tentativa de Bolsonaro de obter um segundo mandato e defender a democracia.
O que vem sendo descrito pelo PT como “movimento” reúne até agora sete partidos (PT, PSB, PC do B, Solidariedade, PSOL, PV e Rede Sustentabilidade), além de centrais sindicais e movimentos sociais, como MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e CUT (Central Única dos Trabalhadores).
A partir da oficialização da candidatura, o ex-presidente e o ex-governador devem intensificar a agenda de viagens pelo país e encontros com apoiadores.
Nos dois meses iniciais, eles devem circular juntos, mas depois devem assumir agendas individuais. A ideia é, num primeiro momento, reforçar a unidade da dupla para apresentá-la ao público e difundir a retórica de que decidiram se aliar diante da excepcionalidade do momento do país.
A previsão é que o ex-tucano Alckmin dê atenção especial a eventos em regiões onde o petista sofre maior resistência. Ele também deverá ser escalado para dialogar com setores refratários ao partido de Lula, como agronegócio, empresariado, segurança pública e instituições religiosas.
A composição com Alckmin evoca a aliança de Lula com o empresário José Alencar (1931-2011), que foi o vice de Lula na primeira candidatura vitoriosa do petista, em 2002, e na disputa da reeleição, em 2006. O petista busca agora um terceiro mandato.
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