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‘Alerta Pri’ já ajudou a localizar 20 crianças desaparecidas no Rio

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Da primeira vez que Valentini sumiu, Veranilce Araujo precisou contar com a sorte a para ter de volta a filha de 12 anos. Dois dias após sair de casa, a menina foi encontrada no metrô por uma amiga da igreja que as duas frequentam. Na segunda fuga de casa, há duas semanas, a cabeleireira de 49 anos não precisou se valer do acaso para recuperar sua menina, após três dias de buscas. Valentini é uma das 20 crianças que voltaram para casa, nos últimos dois meses, com a ajuda do sistema “Alerta Pri”, que notifica o desaparecimento de crianças e adolescentes no estado do Rio. A ferramenta dispara um SMS com informações sobre a pessoa que está sumida para cerca de três milhões de pessoas.

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Desde o mês de março, quando a Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) começou a utilizar a ferramenta, 27 notificações de desaparecimento foram disparadas para os celulares. De todos os casos, apenas sete seguem sem desfecho.

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— Na primeira vez que minha filha fugiu, ficou dois dias nas ruas. Foi achada no metrô por uma amiga da igreja, mas depois disso ela fugiu uma outra vez, há duas semanas. Desta vez, a DDPA entrou em contato muito rapidamente com o SOS Crianças Desaparecidas. Eles foram muito rápidos também e ela foi encontrada sã e salva — relata Veranilce.

Diversas pessoas receberam informações sobre a menina e tiveram acesso a fotos no site da Polícia Civil, o que, segundo a mãe de Valentini, agilizou a localização.

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— Foi como se tivesse sido criada uma corrente, então é bem mais fácil, bem eficaz. Também foram muito importantes no processo de volta para casa. Tem apoio psicológico e eles conversam, te encaminham para onde deve ir e o que deve procurar para que não aconteça de novo também — conta a cabeleireira.

Meninas são maioria

De acordo com os dados mais recentes do Programa SOS Crianças Desaparecidas, do governo estadual, 130 casos foram cadastrados no sistema entre o início deste ano e a última semana. Desses, 82 crianças foram localizadas com vida e outras 19 seguem desaparecidas. Das crianças desaparecidas no estado do Rio em 2022, 57,89% são do sexo feminino, e, no geral, a maior parte dos casos ocorreu por circunstâncias desconhecidas ou fuga do lar.

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O alerta sempre é emitido para desaparecimentos do mesmo dia em que é recebida a mensagem. Caso o usuário deseje receber todos os alertas, pode se cadastrar enviando um SMS para o número 55190, com o número do CEP. Para a delegada Elen Souto, titular da DDPA, o êxito do projeto superou as expectativas.

— A nossa surpresa quanto ao resultado dos alertas é enorme. É uma ferramenta extremamente positiva. As informações a partir do alerta são direcionadas à DDPA. Então, nós temos o retorno tão logo o alerta é enviado. Temos o retorno das pessoas ligando para a delegacia ou fornecendo informações por meio do Portal de Desaparecidos — explica a delegada.

Uma mensagem por dia

Ao ser registrada a ocorrência de desaparecimento em qualquer delegacia do estado do Rio, o sistema da Polícia Civil gera uma pendência para que a DDPA dispare a mensagem. No entanto, nem todos os desaparecimentos registrados podem ter alertas emitidos, devido à limitação contratual de uma mensagem por dia.

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Segundo a delegada, os registros diários são analisados e encaixados em uma ordem de prioridade. No meio do dia, o registro considerado mais urgente é disparado para os telefones. Ela lembra, ainda, que a delegacia de origem da ocorrência não precisa fazer nada além de efetuar o registro no sistema, normalmente.

— Quando o registro é feito dentro dos moldes exigidos, com foto, autorização do uso da imagem pela família e uma série de critérios, automaticamente gera-se uma pendência no meu sistema. Com a limitação de um alerta por dia, tenho que decidir qual vamos emitir. Fazemos uma análise de cada caso — diz Elen Souto.

Ferramentas como o “Alerta Pri” são aliados a ações como o trabalho realizado pela Fundação para a Infância e Adolescência (FIA/RJ), que também oferece apoio às famílias na elaboração e divulgação dos cartazes das crianças desaparecidas, divulgação com rede de parceiros na mídia e em redes sociais.

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A instituição também oferece atendimento psicossocial e, mesmo após a localização da criança ou adolescente, o serviço se estende com suporte psicológico e encaminhamentos necessários para saúde, educação e outras demandas.

É o caso da adolescente Vanessa, de 15 anos, localizada após desaparecer por quase três dias em Madureira, na Zona Norte. A jovem saiu de casa após um desentendimento com a mãe e, em razão das divulgações, foi encontrada pelo pai e um amigo em uma praça.

— Minha filha mais velha me mandou mensagem na terça-feira pela manhã dizendo que a Vanessa não estava em casa. Pensei: “deve ter saído escondida”. Anoiteceu, cheguei do trabalho e ela ainda não estava. Comecei a ir na casa de algumas pessoas, amigos de escola, e ninguém sabia — diz a estudante de Serviço Social Valnisia, de 39 anos, mãe da jovem.

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De acordo com Valnisia, a menina nunca tinha passado uma noite fora de casa, o que a levou a tentar registrar a ocorrência no dia seguinte, pela manhã. Apesar de ter tido dificuldade para fazer o registro na região de Madureira, ela conseguiu, por meio do Conselho Tutelar, chegar até a DDPA, na Cidade da Polícia:

— Fui ao Conselho Tutelar de Irajá e, quando cheguei, fui atendida prontamente pela assistente social, que entrou em contato com a FIA/RJ. Fui direcionada para a Cidade da Polícia, no DDPA e fiz a ocorrência. E aí começou a divulgação no SOS Desaparecidos também.

Sem pistas

Recentemente, a decoradora Cleia Fabiana Mattos registrou o desaparecimento do filho Nykollas, de 16 anos. O jovem saiu de casa para encontrar com amigos em 25 de março, por volta das 15h30, e não voltou. Nykollas foi visto pela última vez pouco depois da meia-noite, quando saiu da casa de uma amiga em Itaboraí, onde mora com os pais, dizendo que iria para casa.

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— Nesse dia, nós acordamos de manhã, tomamos café da manhã normalmente, almoçamos e ele saiu dizendo que ia encontrar com os amigos e, mais tarde, voltava. Ele tinha hora para voltar, até as 22h. Não estava me sentindo bem e dormi por volta das 21h30. Quando acordei no sábado de manhã, ele não estava no quarto. Coloquei no Facebook e ninguém sabia onde ele estava — relata Cleia.

Preocupada, a mãe do menino começou a visitar todos os lugares onde achou que ele poderia estar, sem sucesso. A ocorrência foi registrada na manhã de domingo, na 71ªDP (Itaboraí), e Cleia foi encaminhada para a Delegacia de Homicídios de Niterói (DH). Após prestar depoimento, os investigadores solicitaram imagens das câmeras de segurança de uma fábrica próxima à casa de Nykollas.

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— Por volta de 21h04, o Nycollas passa em direção à minha casa com dois meninos. 22h20 ele volta sentido Itaboraí e aí não se vê mais imagem nenhuma. Esses meninos são amiguinhos dele. Ele encontrou com eles 6h e pouca na saída da escola, foram dar uma volta em uma praça e de lá foram na casa dessa outra amiga — conta. — Para mim ele não chegou a sair do bairro onde ela mora. É um garoto que todo mundo gosta, trabalhador, meu braço direito. Minha intenção maior, agora, é achar meu filho.

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