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PT tensiona aliança de Lula com Kalil ao reafirmar candidatura ao Senado em MG

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SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) – Na semana em que foi anfitrião de eventos com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado, o PT decidiu reafirmar a pré-candidatura do deputado federal Reginaldo Lopes ao Senado em Minas Gerais e repreender “projetos e interesses individuais”.

O movimento tensiona as negociações para uma possível aliança formal entre PT e PSD no estado, parceria que uniria Lula ao ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD), pré-candidato ao governo mineiro.

A aliança é vista como importante para ambos. De um lado, Kalil ancoraria sua candidatura no pré-candidato que lidera as pesquisas para a Presidência. De outro, Lula ganharia um palanque forte no segundo maior colégio eleitoral do país, com cerca de 15 milhões de eleitores.

A candidatura de Lopes ao Senado, contudo, contraria os interesses do PSD, que trabalha pela reeleição do senador Alexandre Silveira (PSD). Ele assumiu o mandato no Senado em fevereiro após a renúncia do então senador Antonio Anastasia, que foi para o TCU (Tribunal de Contas da União).

Silveira se aproximou do presidente Jair Bolsonaro (PL) e passou a ser cotado para ocupar o posto de líder de governo no Senado.

A decisão do PT de reafirmar a candidatura de Reginaldo Lopes foi tomada nesta sexta-feira (13) em reunião da Direção Executiva do PT, quando a legenda ressaltou que “nenhum filiado está autorizado a apoiar outra candidatura ao Senado ou negociar apoio em nome do partido”.

O partido ainda afirmou em nota que a prioridade para 2022 em Minas Gerais é eleger Lula presidente, Reginaldo Lopes senador, derrotar o governador Romeu Zema para o governo e eleger uma bancada forte de deputados.

“É uma construção coletiva que visa o melhor para o país, sem espaço para projetos e interesses individuais”, informou o partido em nota.

Dentro do PT, há uma movimentação para que, caso Silveira mantenha sua candidatura ao Senado, a chapa de Kalil tenha dois candidatos a senador mesmo com apenas uma vaga em disputa.

Essa brecha jurídica está sob análise do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) após uma consulta feita pelo deputado federal Delegado Waldir (União Brasil-GO).

Lopes admite concorrer contra Silveira e destaca a brecha legal: “Se há essa possibilidade, não vejo problema em ter duas candidaturas”, afirmou à Folha. A estratégia, contudo, é rechaçada por Alexandre Silveira, que trabalha para ser o único candidato a senador da chapa de Kalil.

O imbróglio deve perdurar nos próximos meses e o desfecho deve envolver as direções nacionais dos dois partidos.

Em sabatina do jornal Folha de S.Paulo e do UOL nesta quarta-feira (11), Kalil afirmou que quer uma aliança formal com o PT e descartou a possibilidade de seu partido apoiar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de outubro.

“O que o candidato Alexandre Kalil quer é uma aliança formal com o presidente Lula. Isso eu quero deixar muito claro. Não tenho problema nenhum em andar com o presidente Lula. Já disse que considera o presidente Lula um grande líder. Não tenho esse problema. O que não quero é ir sem mão dada, sem aliança. Porque isso tecnicamente prejudica uma campanha”, disse.

Dias antes, contudo, Kalil não compareceu ao evento de lançamento da pré-candidatura de Lula à Presidência em São Paulo nem das agendas do petista em Minas Gerais.

Em Belo Horizonte, o petista fez um discurso inflamado, voltado para a militância e, por causa do impasse com o PSD, não se aprofundou no fechamento de alianças locais.

Lula também não fez menção ao governador do estado, Romeu Zema (Novo). Ferrenhos rivais no plano estadual, o PT e o Novo veem o avanço de voto casado no governador e no ex-presidente, movimento que ganhou o nome de Lulema.

Dirigentes de PT e Novo afirmam não estimular qualquer articulação nesse sentido. Mas também não vão desencorajar essa tendência que, captada em pesquisas, poderia produzir fenômeno similar ao Lulécio de 20 anos atrás.

Em 2002, eleitores de Aécio Neves (PSDB) preteriram o tucano José Serra em favor de Lula para a Presidência. Quatro anos depois, o Lulécio se repetiu.

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