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Vereador que fez fala racista e presidente da Câmara de SP batem boca no WhatsApp

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O vereador Camilo Cristófaro (Avante) criticou Milton Leite (União Brasil) no grupo de WhatsApp dos membros da Câmara Municipal de SP devido a um vídeo em que o presidente da Casa diz ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) que vai “mandar o Camilo embora”. Em resposta, Leite disse que o vereador cometeu um crime e que vai, sim, defender sua cassação.

Cristófaro utilizou uma expressão racista (“coisa de preto”) durante uma sessão da Câmara no começo do mês e desde então sua cassação tem sido objeto de discussão na Câmara.

Em entrevista ao Painel no dia seguinte, Leite revelou que defenderia a cassação de Cristófaro, que tem histórico com diversas controvérsias similares.

No grupo de WhatsApp com os 55 vereadores, Cristófaro encaminhou o vídeo e disse considerar lamentável Leite dizer que iria mandá-lo embora, “como estivéssemos em uma lojinha e o dono mandasse embora”.

“A CMSP não tem dono. Se você quer fazer campanha nas minhas costas, não sou seu capacho. E os 54 vereadores não o são. Todos nós temos um voto. Parabéns a CMSP. Independência ou morte”, escreveu o vereador.

Leite enviou áudios em resposta, nos quais disse que foi pessoalmente ofendido, enquanto homem negro, pela fala racista de Cristófaro, que será isento e dará a ele todas as garantias de defesa como presidente da Câmara, mas trabalhará por sua cassação enquanto vereador.

“Não precisa procurar um ou outro para intrigar, mandar vídeo. Perco qualquer coisa nesta vida, mas não a dignidade e o respeito diante da minha raça, da qual eu me orgulho muito. Não é vossa excelência exibindo vídeo ou áudio para quem quer que seja que vai me frustrar ou [me fazer] deixar de trabalhar para cassar o seu mandato, porque vossa excelência desrespeitou uma lei vigente neste país”, disse Leite.

“Aquele que for receptivo à vossa senhoria, vou respeitar. Mas estarei trabalhando no contrário, tentando convencer os votos para que vossa excelência tenha, sim, o mandato parlamentar cassado. Isso é um direito meu, um direito da minha raça, e vou fazer cumprir”, continuou.

“Não são vídeos ou áudios vazados que vão retirar a minha dignidade. Não aceito, é inaceitável o ato praticado por vossa excelência”, completou o presidente da Câmara, que pediu perdão aos vereadores pelo que chamou de desabafo.

Sobre o vídeo, Leite disse que as pessoas o cobram em todos os lugares a respeito de uma atitude em relação a Cristófaro e que considera provável que tenha, sim, externado que pretendia buscar a cassação do mandato.

Chamado de amigo por Cristófaro, o presidente da Câmara respondeu que não conhecia o “lado obscuro do vereador”, “de agir de uma forma na frente e, no submundo, praticar os atos que praticou.”

O caso de Camilo deve começar a ser analisado pela Corregedoria da Câmara na próxima semana. Após a publicação do relatório, que deverá conter alguma recomendação de punição (advertência, suspensão, cassação), o caso irá a plenário para ser votado pelos vereadores. A perspectiva é a de que o caso seja concluído até o começo de julho.

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