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Leilão de transmissão de energia tem deságios de até 50%

O leilão de transmissão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME) teve grande disputa pelos três primeiros do total de 13 lotes do certame, como era previsto pelo mercado. Os três eram os maiores do edital: todos estão localizados na região Sudeste e passam por Minas Gerais.

No total, o leilãpo prevê a construção e a manutenção de 5.425 km de linhas de transmissão em 13 estados. O investimento total é de R$ 15,3 bilhões ao ser realizado ao longo de 30 anos de contrato.

O maior deles é o Lote 2, entre Minas Gerais e São Paulo, que foi arrematado pela Neoenergia com a oferta de R$ 360 milhões de Receita Anual Permitida (RAP), valor a ser recebido pela transmissora pela prestação do serviço. Esse montante é pago pelos consumidores e está embutido na conta de luz. A proposta da Neoenergia pelo Lote 2 representou deságio de 50,33% em relação à RAP de referência do lote, de R$ 724,734 milhões.

O certame é um leilão de deságio, ou seja, vence cada lote o proponente que aceita receber o menor valor em relação à RAP de referência fixada no edital.

O Lote 2 é o que tem maior extensão, de 1.707 quilômetros, e demanda também o maior investimento ao longo dos 30 anos de contrato, de R$ 4,98 bilhões. Tem como objetivo ampliar a capacidade de transmissão para escoar energia gerada na região oeste do estado de Minas Gerais. Ao todo, sete operadores apresentaram lances pelo ativo.

A Neoenergia venceu também o Lote 11, referente ao Mato Grosso do Sul, com a oferta de R$ 38,2 milhões de Receita Anual Permitida (RAP), deságio de 45,74% na comparação com o estipulado no edital (R$ 70,4 milhões).

Também foi disputado o Lote 1, que compreende 1.269 quilômetros de linhas entre a região norte de Minas Gerais e São Paulo. Foi arrematado pelo consórcio Verde, formado pela operadora Cimy e pelo fundo Brasil Energia, com a oferta de R$ 283,3 milhões de RAP. O valor representa um deságio de 47,31% em relação à RAP de referência do leilão, de R$ 538 milhões.

Apresentaram propostas ao primeiro lote oito consórcios. O Consórcio Verde e a Cteep disputaram o ativo no viva-voz por terem as duas melhores ofertas e com diferença entre si inferior a 5%.

A Cteep também venceu dois projetos. O principal foi o Lote 3, que também estava entre os maiores do leilão. O lote foi arrematado pela Cteep por R$ 285,74 milhões, deságio de 46,75% em relação à RAP máxima prevista, de R$ 536,6 milhões. Recebeu oito propostas.

O terceiro lote do certame compreende 1.139 quilômetros de linhas entre Minas Gerais ao Espírito Santo e exige investimento de R$ 3,65 bilhões durante o contrato. Como os dois primeiros, o projeto visa a ampliar a capacidade de transmissão em Minas Gerais, especificamente ao melhorar o escoamento de geração na região norte do estado.

A companhia ainda levou o Lote 6, que envolve uma subestação em São Paulo para garantir atendimento em Guarulhos e entorno. O projeto prevê o aumento da confiabilidade do sistema na proximidade do Aeroporto Internacional de Guarulhos.

A Sterlite foi outra companhia que levou dois lotes do leilão. O maior deles é o 9, de 505 quilômetros entre Mato Grosso e Pará, foi o quarto a ser leiloado no certame e recebeu propostas de sete consórcios. Foi arrematado com a proposta de R$ 87,6 milhões, deságio de 32,96% em relação à RAP de referência, de R$ 130,66 milhões. A Sterlite disputou o ativo na etapa de viva-voz com o consórcio Taesa.

Projeto referente a linhas entre Bahia e Sergipe, o Lote 5 também foi arrematado pela Sterlite com a oferta de R$ 22 milhões, deságio de 26,52% em relação à RAP Máxima do edital.

Já a Taesa venceu o Lote 10, de Santa Catarina, com a proposta de R$ 18,79 milhões, um deságio de 47,96% em relação à RAP máxima, de R$ 36,1 milhões. A empresa deverá implementar 159 quilômetros de linhas de transmissão no estado. O projeto recebeu cinco propostas.

O Lote 4, de investimentos no Amapá, teve como vencedora a Zopone Engenharia, com proposta de R$ 38,89 milhões de RAP, deságio de 5%. A Energisa ofertou exatamente o valor previsto em edital, de R$ 40,94 milhoes.