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Fiesp e empresários insistem em convite a Bolsonaro, que não confirma novos encontros

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BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro (PL) suspendeu encontros que teria com empresários em São Paulo a menos de dois meses das eleições e em meio ao aumento da pressão da elite econômica do país contra falas de teor golpista e ataques do mandatário ao sistema eleitoral.

Para evitar danos ainda maiores à sua imagem, Bolsonaro cancelou uma ida à Fiesp (Federação de Indústrias de São Paulo) e também um jantar com um grupo de empresários que teria no próximo dia 11 na capital paulista, como antecipou a coluna Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.

Integrantes dos dois grupos que se reuniriam com Bolsonaro em São Paulo comunicaram ao Palácio do Planalto que ainda estão abertos a receber o candidato, mas auxiliares do presidente ainda não responderam quando os encontros ocorrerão –em meio às dificuldades de contornar as críticas do empresariado ao candidato à reeleição.

Os compromissos estavam marcados para o dia em manifestos pró-democracia serão lidos em evento na Faculdade de Direito da USP. Bolsonaro vem fazendo declarações que colocam em dúvida as urnas eletrônicas. Ele já falou que os textos são “claramente” contra ele.

A assessoria do presidente entrou em contato com a Fiesp na terça afirmando que precisava cancelar a ida à entidade no dia 11, mas que poderia remarcar. Informou que o presidente havia desmarcado toda a agenda em São Paulo, inclusive o jantar com empresários, organizado pelo grupo Esfera.

Logo depois, o presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, enviou um ofício para a Presidência reiterando o convite para o presidente ir à Fiesp expor suas ideias para os associados, na data em que o Planalto quiser remarcar.

Há uma tentativa de reagendar para antes de 7 de Setembro o jantar, que havia sido organizado por João Camargo, do grupo Esfera, com a ajuda do almirante Flávio Rocha, secretário de Assuntos Estratégicos e um dos mais próximos de Bolsonaro hoje. Integrantes da campanha, contudo, resistem a remarcar.

A federação e as outras entidades iam publicar em anúncios de página inteira nos jornais Folhade S.Paulo, Estadão, O Globo e Valor Econômico o manifesto em defesa da democracia nesta quinta-feira (4), mas os logotipos das entidades não chegaram dentro do prazo para a finalização do design. Por isso, o manifesto deve ser publicado na sexta-feira (5).

A manifestação de grandes empresários e banqueiros contra as declarações de Bolsonaro foi lamentada por estrategistas da campanha, que tentaram nas últimas semanas encontrar culpados dentro do governo para o movimento.

Um dos alvos foi o próprio ministro Paulo Guedes (Economia). Os aliados do ministro em bancos públicos até votaram contra a adesão da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) ao manifesto diante da visão que o texto defenderia de maneira especial o TSE (Tribunal Superior Eleitoral, que vem sendo atacado por Bolsonaro) –mas foram voto vencido.

Bolsonaro escutou conselhos de aliados próximos e integrantes da campanha, que viam nos encontros mais um potencial desgaste, como mostrou a Folha de S.Paulo. A avaliação era a de que pareceria competição com o evento marcado na USP, e que dificilmente o presidente ganharia.

Além disso, existia grande risco de protestos em frente da Fiesp ou do local onde aconteceria o jantar.

Na Fiesp, o presidente seria ainda convidado a assinar o manifesto em defesa da democracia encabeçado pela instituição, como já fizeram outros presidenciáveis.

O mandatário, contudo, já havia sinalizado para integrantes de sua equipe que o texto tinha conotação política e que não pretendia assiná-lo. A recusa no evento traria mais danos ao presidente.

Em paralelo ao manifesto da Fiesp, empresários e integrantes da sociedade civil também organizaram a carta em defesa do Estado Democrático de Direito. O documento já conta com o apoio de mais de 720 mil pessoas, dentre elas os banqueiros Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, copresidentes do conselho de administração do Itaú Unibanco, e Candido Bracher, ex-presidente da instituição financeira e hoje também integrante de seu conselho.

Aliados do chefe do Executivo tentam minimizar as cartas, alegando que os que aderiram a elas já não são apoiadores do mandatário e têm preferência política pelo PT.

Bolsonaro, por sua vez, tem demonstrado sua insatisfação com as cartas em declarações nos últimos dias. Ele minimiza os documentos, chamando de “cartinha”.

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