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Ciro anuncia vice-prefeita de Salvador como vice em chapa pura do PDT sem alianças

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BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Sem conseguir fechar aliança com outros partidos, o candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, anunciou nesta sexta-feira (5) a vice-prefeita de Salvador (BA), Ana Paula Matos, como vice em sua chapa, no último dia de convenções para escolher os candidatos que vão disputar as eleições de outubro.

Ana Paula tem 44 anos e é servidora concursada da Petrobras. Ela iniciou a trajetória na gestão municipal como diretora-geral de Educação da Prefeitura de Salvador, em 2013, e foi cogitada como vice de ACM Neto (União Brasil) na disputa pelo governo da Bahia. Em 2020, declarou ter R$ 1,08 milhão em bens.

A decisão de concorrer com uma chapa pura refletiu a dificuldade de Ciro de atrair partidos para sua candidatura.

Na quinta (4), na convenção do PDT em Brasília que confirmou a senadora Leila na disputa ao Governo do Distrito Federal, o presidenciável já havia sinalizado que não vislumbrava qualquer aliança, apesar de dizer que ainda havia conversas.

Questionado se esperava alguma aliança de última hora com outras siglas, como a União Brasil, Ciro respondeu não ser muito provável.

“Você tem candidaturas que, com 1%, recebem alianças. E a minha, que frequenta o terceiro consistente e incontrastável lugar, não recebe”, disse. “Pergunta ao [Luciano] Bivar [da União Brasil]. O Bivar é um cara honesto, diz que ‘o problema do Ciro não é ele, são as ideias dele.'”

Segundo o candidato pedetista, a defesa de uma mudança no modelo econômico e na governança política afastam alianças. “Você não pode esperar que uma fração do sistema comprometida com os modelos econômico e de governança que quero revogar venham em meu socorro. É preciso ter humildade.”

Nesta sexta, em entrevista após formalizar o nome de Ana Paula, Ciro justificou o fato de ter buscado alianças mesmo com uma candidata com “valores e virtudes”, como qualificou sua vice, dentro do próprio PDT.

“Veja, estou com um olho na campanha eleitoral e outro no governo. Eu sou muito responsável, estou me preparando para governar o Brasil. Sei que é uma imensa travessia, difícil, tortuosa, mas a minha psicologia é de me preparar para assumir a responsabilidade de governar o Brasil”, disse.

“E isso me faz estar aberto ao diálogo com todas as forças do Brasil, porque eu vou precisar reconciliar o Brasil especialmente depois do que nós vamos assistir [na campanha].”

Na coletiva, o presidente do PDT, Carlos Lupi, reconheceu que a escolha da advogada e professora também é um aceno a ACM Neto. Há uma expectativa de que o candidato a governador possa dar palanque para o pedetista na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país.

“Uma professora de origem humilde, que mostra ao Brasil uma mulher da Bahia, aí eu estou piscando os dois olhos para o ACM Neto, verdade”, disse Lupi.

Já Ana Paula disse estar honrada e emocionada por ser vice na chapa de Ciro. “Eu estou muito tranquila que a minha escolha não é apenas por eu ser mulher ou uma mulher negra, mas por ser a mulher que eu sou. Alguém que tem propósito, que se identifica com ele [Ciro]”, afirmou.

Os partidos têm até 15 de agosto para requererem o registro de candidatos a presidente e a vice-presidente da República. Até lá ainda é possível fazer trocas nas chapas.

Também na quinta, o PDT formalizou a candidatura de outra mulher ao cargo de vice: Gleides Sodré concorrerá com Elvis Cezar ao Governo de São Paulo.

Ela já havia sido candidata ao mesmo posto na disputa pelo comando do estado na eleição de 2018, ao lado de Marcelo Cândido, na chapa que acabou indeferida pela Justiça eleitoral porque o candidato não cumpriu requisitos da lei da Ficha Limpa.

O PDT de Ciro tem enfrentado ofensiva do PT em alguns estados. Em São Paulo, Fernando Haddad, que disputará o governo do estado, citou o partido em entrevista coletiva na quarta (3).

“Está faltando o PDT. O PDT me apoiou em 2016 para prefeito, com altos elogios do Ciro Gomes à minha gestão”, disse ele após encontro na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na capital paulista.

Luiz Marinho, presidente estadual do PT, ligou para o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, na quarta para discutir uma possível participação da sigla na chapa petista.

“Gosto do Haddad, mas a [nossa] questão é [ter] palanque nacional”, disse Lupi. Ciro aparece com 8% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, divulgada no final de julho. Lula (PT) lidera com 47%, e Jair Bolsonaro (PL) tem 29%.

Em discurso durante a convenção que formalizou sua candidatura, Ciro afirmou que o “lulismo pariu Bolsonaro” e que o país chegou à atual situação porque esquerda e direita são “cúmplices do mesmo modelo” e incapazes de propor uma saída.

Neste momento, a prioridade do PDT é conquistar palanques nos estados do Sudeste, de preferência de candidatos do PSDB. Por enquanto, apenas Marcos Pestana, postulante tucano ao governo de Minas Gerais, declarou apoio a Ciro.

Houve conversas com Rodrigo Garcia, que disputa a reeleição em São Paulo, mas que esbarraram no apoio nacional dos tucanos à candidatura de Simone Tebet (MDB).

Na terça, Ciro anunciou em live, ao lado da mulher, Giselle Bezerra, que decidiu morar em São Paulo nos próximos meses de campanha. Um dos filhos dele mora na capital paulista. “A sede da crise brasileira é São Paulo, mas a saída da crise também passa pela gente valorosa e trabalhadora de São Paulo.”

Em outro estado-chave para a campanha, o Rio de Janeiro, Ciro teria palanque com o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT). O estado é palco de outra disputa partidária entre PT e PSB.

O diretório petista local aprovou na terça resolução em que defende a retirada do apoio à candidatura de Freixo ao governo estadual. Nesta sexta, no entanto, a executiva nacional do PT decidiu manter a aliança com o deputado federal, mesmo depois de o PSB lançar o nome de Alessandro Molon ao Senado.

No Ceará, onde Ciro Gomes fez a carreira política, o PDT conquistou o apoio do senador tucano Tasso Jereissati ao ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio na disputa pelo governo do estado na última segunda. Tasso foi alvo de investidas da campanha do ex-presidente Lula e também chegou a ser cotado para a candidatura a vice-presidente na chapa liderada por Simone Tebet (MDB).

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