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Jô Soares recebeu ameaças de morte após entrevistar Dilma Rousseff

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ator, escritor e humorista Jô Soares, morto aos 84 anos nesta sexta-feira, foi uma voz atuante, em meio à crise política do país. Em entrevista à Folha em 2015, Jô se disse contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, do PT.

“O que começou a me irritar foi essa conversa de ‘fora, Dilma’. Como? Ela é a presidente da República. Ela foi eleita. Ela não é um técnico de futebol. O país está dividido, mas não é por isso que vou deixar de entrevistar a presidente”, afirmou.

Jô fazia referência às críticas que recebeu pelo tom adotado numa entrevista feita no mesmo ano, gravada no Palácio da Alvorada. “Não era um debate. Era uma entrevista. Não cabia a mim rebater a presidente a cada momento. Eu fiz as perguntas que precisavam ser feitas. Agora, se as respostas não agradaram, o problema é de quem ouviu.”

A entrevista se tornou uma polêmica, despertando ódio de parte da sociedade. Uma semana depois de o programa ir ao ar, a rua do seu prédio apareceu pichada com “Jô Soares morra”. “Ainda bem que não marcaram a data”, rebateu o artista, com o humor de sempre. Em outra edição do programa, repudiou a ameaça.

“Olha, isso me lembra os tempos da ditadura. Eu morava numa vila, quando cheguei em casa, as luzes estavam apagadas, cortadas. E as paredes, banhadas de sangue, quer dizer, de tinta vermelha, mas era como fosse sangue”, relembrou.

Jô nunca se filiou a um partido e preferia manter independência política, como deixou claro noutra entrevista a este jornal, publicada em 2016. “Sou um anarquista do ponto de vista intelectual. Não é para jogar bomba em ninguém, mas eu não me filio a esse ou àquele partido. Eu sou um artista e, como tal, acredito que não devo me envolver em política.”

Rousseff lamentou, em publicação no Instagram, a morte do apresentador.

“Quando eu estava sob intenso ataque da mídia e dos adversários políticos, pouco antes do processo de impeachment, em abril de 2016, ele abriu seu programa para me entrevistar. Foi uma conversa respeitosa e muito importante. Jô foi a única voz dentro da Globo disposta a me ouvir naquele momento. E disso eu não me esqueço. Ele foi um democrata e era um artista de princípios.”

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