‘Comemorar 50 anos do projeto Aquarius, no lugar onde começou a cidade, é cheio de simbolismo’, diz Lenine
O cantor Lenine foi um dos primeiros a chegar à Praça Mauá, na tarde deste sábado, onde acontece, a partir das 17h, a comemoração dos 50 anos do Projeto Aquarius. O músico pernambucano e o grupo de dança funk Oz Crias se apresentam com a Orquestra Sinfônica Brasileira, regida pelo maestro Roberto Tibiriçá. O acordeonista João Pedro Teixeira também participa do espetáculo gratuito, que leva às ruas a sinergia da música erudita com a popular.
O Projeto Aquarius é uma realização do GLOBO, com apresentação das empresas Vale e Vibra; patrocínio do governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura; apoio do Sesc-RJ; e parceria da Orquestra Sinfônica Brasileira.
— É uma conjugação de música sem a necessidade de adjetivos — disse Lenine, nos bastidores. —Comemorar 50 anos do projeto Aquarius, no lugar onde começou a cidade, é cheio de simbolismo.
Embora já tenha se apresentado com orquestras sinfônicas, o músico confessou que, desta vez, há um significado ainda mais especial:
— Vai ser carregado de emoção. Afinal, são detalhes tão pequenos de nós tantos. São muitas pessoas em torno de uma única coisa: a música. É sempre uma experiência enriquecedora.
Além de Lenine, dezenas de pessoas também chegaram cedo à Praça Mauá. Com cadeiras de praia ou toalhas para forrar o chão, a ideia era garantir o melhor lugar para apreciar o concerto. Lanches e bebidas também estavam na bagagem para acompanhar o programa, que pretende passear pela história do projeto, iniciado em 1972 sempre com apresentações gratuitas ao ar livre.
A bailarina Isabel Deodato, de 36 anos, chegou uma hora antes do show, preparada. Moradora da Tijuca, ela trouxe livro para passar o tempo enquanto aguardava os músicos subirem ao palco. Na bolsa, um espumante e taça para brindar os 50 anos do Projeto Aquarius.
— Acho importante trazer música clássica para as pessoas, inclusive para as que não conhecem. Essa união com o popular é muito bacana. É preciso voltar com esses concertos com mais regularidade. Cultura é sempre importante — disse a bailarina, que assiste ao Projeto Aquarius pela primeira vez.
Moradora de Olaria, a veterinária Eneida Gurgel, de 55 anos, guarda na memórias apresentações anteriores do Aquarius. Dessa vez, fez questão de ter a companhia da filha Amanda, de 13 anos, e da amiga dela, Thayná Monteiro, da mesma idade.
— Espero que o concerto de hoje me emocione de novo e que encante as meninas também — afirmou Eneida, fã de Villa-Lobos.
Thayná, expert em MPB, música romântica e pagode, acha que não vai se decepcionar:
— Vai ser uma boa experiência.
Também de Olaria, José Roberto de Souza Aguiar, de 56 anos, foi apresentado ao Projeto Aquarius ainda criança pelo avô, João Telles, que o levou ao Maracanãzinho para assistir ao concerto de 1975, com participação do tecladista Rick Wakeman. De lá para cá, ele perdeu a conta de quantos eventos esteve. Um dos mais marcantes foi o da Quinta da Boa Vista, em 1993, que contou com a presença de George Martin, produtor e arranjador dos Beatles. José aproveitou para comemorar a volta dos eventos em praça pública depois de mais de dois anos de pandemia.
— Estar na rua já é motivo de comemoração. Com música clássica e a oportunidade de também ouvir Lenine, é melhor ainda. Um evento como esse é tudo que a gente precisa nesse momento — disse José Roberto, acompanhado da mulher, a funcionária pública Rosana Ramos de Abreu, de 59 anos, e também da amiga, a advogada Rachel Rodrigues Nunes, de 40.
Os três têm uma longa história com o Projeto Aquarius:
— Sei que é sempre garantia de coisa boa — disse Rachel. — Estou esperando muita energia positiva, que só a boa música pode trazer, ainda mais num momento como o atual.
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