Vendas de superiates crescem mesmo com russos fora de cena

Em se tratando de superiates, nem parece que os bilionários russos saíram de cena, e os esforços para domar a inflação aumentaram os temores de uma recessão global. O Monaco Yacht Show — que terminou no último fim de semana — teve um recorde de 117 barcos em exibição, com nomes como Shabby, Miss Candy e 110′ Dolcevita. O show parecia um mundo à parte da guerra na Ucrânia e da crise energética que paralisa a Europa.

Executivos do setor falaram da demanda insaciável que se intensificou durante a pandemia, quando os ricos decidiram que um barco próprio era a maneira ideal de escapar de lockdowns e infecções. Mesmo após os temores da pandemia diminuírem, a demanda permaneceu forte.

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Nos nove primeiros meses de 2022, a receita da Burgess, uma das principais corretoras de superiates, já aumentou 20% em relação ao ano passado, a caminho de mais um ano recorde.

“Nossos clientes são todos muito ricos”, disse o CEO da Burgess, Jonathan Beckett, em entrevista nos bastidores do evento: “Acho que o que a pandemia fez foi fazê-los se sentirem vulneráveis pela primeira vez em suas vidas. Eles pensam, ‘a vida é realmente frágil. Eu não sou imortal e posso me dar ao luxo de sair e fazer algo realmente legal. Por que não fazer isso agora?'”.

A demanda forte fez de 2021 um ano recorde para vendas globais de superiates. Embora seja improvável que isso se repita este ano, as vendas ainda estão 68% acima da média de 13 anos, de acordo com a corretora Fraser Yachts.

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No ano passado, 1.001 superiates medindo 24 metros ou mais, incluindo novas construções, foram vendidos por 9,4 bilhões de euros (US$ 9,2 bilhões), segundo Kevin Bodington, fundador e CEO da YachtBuyer.com. As vendas até agora, neste ano, estão em 567 unidades por 4,2 bilhões de euros (US$ 4,1 bilhões), disse ele.

“O mercado está se desacelerando não tanto por falta de demanda, mas sim por falta de oferta”, disse ele: “A carteira de pedidos dos estaleiros está praticamente cheia, mas você não pode aumentar escala da noite para o dia”.

Os americanos impulsionam a demanda, mais do que compensando a ausência de russos ricos. Em 31 de agosto, os proprietários americanos representavam a maior parte da frotaexistente e das novas construções, de acordo com o Superyacht Times.

Os proprietários americanos representam 23% da frota global de superbarcos de mais de 40 metros, seguidos pelos russos em cerca de 9%. Outros grandes compradores vêm de Grécia, Reino Unido, Turquia e Itália. 

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