Estudantes do Complexo da Maré se formam na Escola Fundação Roberto Marinho
O Centro de Artes da Maré, na Nova Holanda, Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, recebeu com festa, nesta sexta-feira, cerca de 200 pessoas para celebrar a conquista dos 63 estudantes da Escola Fundação Roberto Marinho. São jovens e adultos que, pelos mais variados motivos, não tinham concluído seus estudos.
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Os dez formandos do ensino fundamental e os 53 do ensino médio se matricularam ano passado e enfrentaram uma pandemia pelo caminho. Mas esta sexta-feira foi dia de comemorar.
— Estou realizando um grande sonho de conseguir me formar. Foram muitos obstáculos, problemas, teve a pandemia, mas conseguimos. Tivemos excelentes professores. Agora quero conquistar o sonho de cursar Serviço Social — planeja Maria da Costa das Neves, de 50 anos.
Criada em 2011, a Escola Fundação Roberto Marinho usa a Metodologia Telessala — Incluir para Transformar, que tem como base o Telecurso. A formação se dá em dois anos. A proposta é atender estudantes que não conseguiram concluir a educação básica no tempo certo ou estão fora da escola.
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O professor Vitor Felix do Vale destaca a importância da parceria com os alunos para o sucesso do trabalho:
— O dia de hoje é a realização de uma trajetória de muito trabalho árduo, de construção de uma parceria que vai gerar excelentes frutos. Estamos concluindo um trabalho e, chegar aqui hoje, depois de um tempo longe, estudando de forma remota e essa retomada que não foi fácil, é a conclusão de um ciclo de muitas conquistas.
Todos os matriculados são moradores do Complexo da Maré. A metodologia da escola contempla diferentes realidades dos alunos.
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— Nossa metodologia de ensino é integrativa, que traz o estudante como protagonista da própria vida. Muitos do que estão se formando não têm alimentação adequada, não têm estrutura familiar, são vários vieses que fazem com que não acreditem neles mesmos. Nossa metodologia, além de trabalhar os componentes curriculares, trabalha o desenvolvimento do ser humano, o fortalecimento da autoestima, e em cima das habilidades socioemocionais — explica Renan Carlos, diretor da Escola Fundação Roberto Marinho.
Gerente de implementação do laboratório de Educação da Fundação Roberto Marinho, Heloisa Mesquita explica que os alunos saem prontos para as próximas etapas de ensino:
— Se o aluno fez o fundamental, está pronto para ir para o ensino médio e, se fez o médio, está pronto para ir para a faculdade. Por mais que sejam dois anos, a gente consegue exponenciar aquele aprendizado e consegue, com isso, trazer vários outros projetos complementares e transdisciplinares. Então, trabalham a educação antirracista, as africanidades, a florestabilidade, enfim, tem uma série de outros projetos ao longo desses dois anos. É um curso bem engendrado porque, em dois anos, deixa o aluno bem preparado para a segunda etapa da continuidade. Trabalhamos muito para que ele tenha o aprendizado ao longo da vida. Não pode parar nunca.
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O Telecurso na Maré começou em 2003, quando foi criado o programa Maré do Saber, voltado para jovens e adultos que não haviam concluído o ensino fundamental. Novas turmas foram abertas em 2022, e mais uma, de ensino médio, será inaugurada na Maré em fevereiro de 2023. A Redes da Maré, parceira da Fundação Roberto Marinho na iniciativa, tem uma lista de interessados.
Criada em 2011, a Escola Fundação Roberto Marinho utiliza a metodologia do Telecurso e já formou cerca de 1.800 estudantes no ensino fundamental e no ensino médio. A proposta é atender estudantes que não conseguiram concluir a educação básica no tempo certo ou estão fora da escola.
As aulas são presenciais e com atividades on-line. No Rio de Janeiro, a Escola Fundação Roberto Marinho está presente no Centro, no Complexo da Maré, em Del Castilho e São Gonçalo, reunindo 197 alunos, cujas idades variam entre 15 e 69 anos.
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