Jacinda Ardern xinga opositor na Nova Zelândia sem atentar para microfone ligado
PETRÓPOLIS, RJ (FOLHAPRESS) – Enfrentando seu menor índice de popularidade desde que chegou ao poder, a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, ganhou as manchetes nesta terça-feira (13) ao ser flagrada dizendo que o líder de um partido de oposição minoritário era um “babaca arrogante”.
O episódio ocorreu durante uma sessão de perguntas e respostas no Congresso. Então, David Seymour, do partido liberal ACT, perguntou à primeira-ministra se ela daria “um exemplo de uma ocasião em que cometeu um erro, desculpou-se por ele devidamente, e o corrigiu”. Jacinda respondeu que a severidade das medidas que seu governo impôs para conter a Covid-19 foi difícil para a população, mas que ela defende o trabalho que fez em seu mandato.
O xingamento se deu depois que Jacinda terminou de responder à pergunta e se sentou ao lado de seu vice, Grant Robertson. Seu microfone estava aberto, e a fala foi tão audível quanto o pedido do orador, Adrian Rurawhe, para que o próximo da fila apresentasse sua pergunta.
Seymour a princípio exigiu que a primeira-ministra se desculpasse diante do Congresso, mas o pedido foi negado. Mais tarde, em um encontro com a imprensa, ele afirmou que Jacinda enviou uma mensagem de texto se redimindo pelo ocorrido e que estava tudo bem entre os dois.
“[Ela] disse ‘Peço desculpas, não deveria ter dito aquilo e, como fala a minha mãe, se você não tem algo bom a dizer, é melhor ficar calado. Eu respondi ‘obrigada e espero que você tenha um feliz Natal. No fim das contas, não é o fim do mundo”, contou o político.
“O pedido de desculpas que eu realmente buscava é referente à preocupação dos neozelandeses com a alta de preços e os roubos de lojas”, acrescentou Seymour, referindo-se a uma prática que se tornou frequente no país nos últimos meses, em que criminosos avançam sobre comércios com seus carros e destroem suas vitrines para saqueá-los.
As queixas são semelhantes àquelas que motivam a pior taxa de aprovação de Jacinda e de seu Partido Trabalhista desde que ele foi eleito, em 2017.
Uma sondagem divulgada no início deste mês pela Kantar One News Polling afirma que hoje 29% da população escolheria Jacinda como primeira-ministra. Dias antes das eleições de outubro de 2020, quando a legenda foi reeleita, o índice era de 55%.
Já o Partido Trabalhador a que a primeira-ministra pertence tem hoje 33% de aprovação, e não conseguiria formar um governo de coalizão com partidos próximos, como o Verde, que conta com 9% de apoio da população, e o Maori, que tem 2%, segundo a Kantar.
Antes das eleições de 2020, essa porcentagem era de 46% -na ocasião, os eleitores se mostravam extremamente impressionados com a conduta da primeira-ministra na pandemia, que fez da Nova Zelândia um exemplo mundial de combate ao vírus, com quarentena rígida, ampla testagem e uma estratégia de comunicação eficiente.
De lá para cá, porém, a Covid deixou de ser a principal preocupação dos neozelandeses. Recentemente, o o Banco Central da Nova Zelândia anunciou que o país pode entrar em recessão no ano que vem. A inflação está em 7,2%, maior índice em quase 30 anos, e os custos da comida, aluguel e gasolina seguem em alta.
Enquanto isso, casos de violência têm se espalhado do território, e o assassinato a facadas de um funcionário de uma mercearia em Auckland no final de novembro levou estabelecimentos do tipo a fecharem as portas por toda a nação em solidariedade. O governo contratou centenas de policiais, mas tem tido dificuldades para manter as ruas livres de crimes.
Em um encontro recente com a imprensa, Jacinda admitiu que este tem sido um período desafiador para a sua administração. Mas criticou a oposição que, segundo ela, nem sequer apresenta propostas para lidar com os problemas que o país vive. “Nossa função é seguir em frente porque temos o privilégio de governar, e é isso que estamos fazendo.”
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