Petrobras discutirá retomada de fábrica de fertilizantes em MS, dizem autoridades locais
Por Ana Mano
SÃO PAULO (Reuters) – O Conselho de Administração da Petrobras deve discutir neste mês os planos para retomar a construção de uma fábrica de fertilizantes nitrogenados em Mato Grosso do Sul, disseram duas autoridades à Reuters.
Jaime Verruck, secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento, disse que espera que a Petrobras conclua a construção da unidade na cidade de Três Lagoas após obter autorização do conselho.
A Petrobras se recusou a comentar a possibilidade de retomar o projeto, que foi interrompido em 2014 com cerca de um quinto das obras previstas ainda por fazer.
No mês passado, a empresa informou que estava cancelando o processo competitivo para a venda integral da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, que estava em fase vinculante.
“A indicação no momento –mas isto depende da aprovação do Conselho de Administração — é a de que a própria Petrobras iria concluir as obras deste ativo”, disse Verruck à Reuters.
O investimento na produção de fertilizantes marcaria uma mudança dramática para a Petrobras, que passou anos tentando vender a fábrica de Três Lagoas e outros ativos semelhantes para se concentrar em campos de petróleo do pré-sal.
A presença da Petrobras no setor também significaria uma readequação do plano nacional de produção de fertilizantes, anunciado em março de 2022 para reduzir a dependência de importações.
A administração da Petrobras, indicada pelo novo governo do Brasil, já sinalizou planos para aumentar os investimentos e diversificar as operações da empresa para além de petróleo e gás.
José Moraes, secretário municipal de Desenvolvimento de Três Lagoas, disse que as autoridades locais estão entusiasmadas com o empreendimento de fertilizantes.
“A perspectiva é a melhor possível”, disse Moraes, acrescentando que as autoridades locais “vão se empenhar cada vez mais” para levar o projeto adiante.
Devido à paralisação prolongada da construção, contudo, muito terá de ser refeito, disse Moraes. Durante esses anos, a Petrobras fez apenas a manutenção dos equipamentos no local, comentou.
Verruck disse que a fábrica pode ser concluída em dois anos, com capacidade para substituir o equivalente a 18% das importações de ureia do Brasil em 2022 e 12% das importações de amônia.
Moraes, que disse que as autoridades municipais participaram das conversas com a russa Acron quando a empresa negociava para comprar o ativo da Petrobras, comentou que o negócio fracassou em abril passado depois que o acordo do potencial comprador para comprar gás da Bolívia não vingou.
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