Navio tanque sul-coreano encalha em ilha do Japão com milhares de toneladas de combustível
Uma embarcação de carga registrada na Coreia do Sul protagonizou um incidente marítimo significativo na tarde desta sexta-feira, dia 6 de março, ao encalhar nas águas do Mar Interior de Seto. O navio-tanque, identificado como “Phoenix”, transportava uma carga substancial de aproximadamente 2.500 toneladas de querosene quando colidiu com o fundo do mar nas proximidades do Farol de Ogijima, localizado na província de Kagawa. O acidente mobilizou imediatamente as autoridades locais e equipes de emergência para avaliar a situação estrutural do casco e prevenir possíveis vazamentos.
O alerta foi emitido pela própria tripulação da embarcação por volta das 13h36, horário local, informando a Guarda Costeira sobre o encalhe na região noroeste da ilha. De acordo com os relatórios preliminares, o navio estava em rota de navegação padrão quando ocorreu o incidente, cujas causas ainda estão sob investigação técnica detalhada. A resposta rápida das autoridades visa mitigar riscos, dado o volume de combustível inflamável armazenado nos tanques da embarcação.
As condições meteorológicas no momento do acidente eram consideradas favoráveis, com céu claro e ventos moderados de cerca de 4 metros por segundo, além de boa visibilidade na superfície da água. Apesar do ambiente calmo, a embarcação sofreu uma inclinação visível para o lado esquerdo (bombordo), o que gerou preocupação imediata quanto à estabilidade do navio. Equipes especializadas foram despachadas para o local a fim de monitorar a integridade do casco e garantir que não houvesse ruptura dos compartimentos de carga.
Situação da tripulação e composição internacional a bordo
A segurança humana foi a prioridade imediata após a confirmação do encalhe, com a Guarda Costeira confirmando que não houve feridos entre os ocupantes do Phoenix. A embarcação operava com um quadro de 15 tripulantes de diversas nacionalidades, que permaneceram a bordo para auxiliar nas comunicações iniciais e nos procedimentos de avaliação de danos. A diversidade da equipe reflete a natureza globalizada do transporte marítimo comercial na região asiática.
A composição da equipe a bordo do navio acidentado foi detalhada pelas autoridades portuárias para facilitar os trâmites consulares e logísticos. O grupo é formado por profissionais de três países distintos, que trabalhavam em conjunto na operação da rota comercial no momento do impacto:
- Dois cidadãos da Coreia do Sul, incluindo oficiais de comando;
- Seis tripulantes de nacionalidade birmanesa (Mianmar);
- Sete marinheiros oriundos da Indonésia.
Todos os membros da tripulação encontram-se em segurança e colaboram com as autoridades japonesas fornecendo relatos sobre os momentos que antecederam o encalhe. A ausência de ferimentos graves permitiu que o foco das operações se voltasse quase que imediatamente para a preservação ambiental e a análise técnica da estrutura do navio, que permanece imóvel enquanto aguarda as próximas etapas do resgate.
Monitoramento ambiental e riscos de vazamento
O Mar Interior de Seto é uma região de extrema importância ecológica e econômica para o Japão, conhecida por suas correntes complexas e biodiversidade. Por conta disso, a presença de um navio carregado com querosene em situação de risco elevou o nível de alerta das agências ambientais. Até o momento, as inspeções visuais e instrumentais realizadas ao redor do casco não detectaram vazamentos de combustível ou óleo, um sinal positivo para a preservação do ecossistema local.
A inclinação da embarcação para bombordo, no entanto, exige monitoramento contínuo, pois alterações na maré ou mudanças repentinas nas condições do vento poderiam desestabilizar ainda mais o navio. A Guarda Costeira estabeleceu um perímetro de segurança ao redor do Phoenix para evitar que outras embarcações se aproximem e causem ondas que possam impactar o casco fragilizado. Barreiras de contenção de óleo estão preparadas para serem implantadas caso haja qualquer indício de fissura nos tanques.
Especialistas em salvatagem marítima estão analisando os dados da “caixa-preta” da embarcação e os registros de navegação para entender a dinâmica do acidente. A integridade do fundo do mar na área do Farol de Ogijima também é um fator crucial, pois o tipo de solo — rochoso ou arenoso — determinará a dificuldade de desencalhe e o estresse mecânico exercido sobre a quilha do navio.
Logística de resgate e transferência de carga
Diante da impossibilidade de mover o navio com sua carga total devido ao calado e à posição em que se encontra, as autoridades e a empresa responsável pelo Phoenix estudam a necessidade de uma operação de “lightering”. Este processo envolve a transferência de parte ou de toda a carga de querosene para outra embarcação menor ou vazia, visando reduzir o peso do navio encalhado e facilitar sua flutuação na maré alta.
A operação de transferência de combustível em mar aberto é complexa e envolve riscos operacionais elevados, exigindo equipamentos de bombeamento especializados e condições de mar estáveis. A empresa proprietária do navio já foi notificada para apresentar um plano de salvamento que inclua a disponibilização de um navio-tanque auxiliar. A prioridade é garantir que o alívio de peso ocorra sem derramamentos, permitindo que rebocadores potentes possam, posteriormente, puxar a embarcação para águas profundas.
Impacto no tráfego marítimo regional
A área onde ocorreu o incidente é uma rota frequentada por navios comerciais e de pesca, sendo vital para o abastecimento das ilhas e cidades costeiras da região de Kagawa. Embora o tráfego não tenha sido totalmente interrompido, a Guarda Costeira emitiu avisos de navegação para que todos os navios na vizinhança mantenham distância e reduzam a velocidade. O incidente serve como um alerta para a complexidade da navegação no Mar Interior de Seto, onde passagens estreitas e correntes fortes exigem atenção redobrada, mesmo em dias de tempo bom.
As autoridades japonesas continuam a coordenar os esforços com a embaixada da Coreia do Sul e os representantes da armadora para resolver a situação o mais rápido possível. A remoção segura do Phoenix é essencial não apenas para evitar um desastre ambiental, mas também para restabelecer a normalidade plena na rota comercial, minimizando prejuízos logísticos para a indústria local que depende do transporte marítimo regular.















