Com 1m92 de altura, sorriso largo, fã de Naruto, Darlan Souza já carimba uma assinatura na seleção brasileira de vôlei. Maior pontuador dos Jogos Pan-Americanos de Santiago até agora, é impossível para ele ( e pra gente) não sonhar com a medalha de ouro. Mas o maior prêmio mesmo ele teve na tarde desta quinta-feira, 2 , durante o último treino antes da semifinal, na sexta-feira: a presença de Dona Cida, sua mãe, que chegou de surpresa ao Chile.
“Eu estava tão nervosa, tão emocionada em poder estar nesse jogo… Eu nunca assisti a uma partida assim, tão importante, do porte dessa competição”, contou ela, minutos antes de poder abraçar o filhão.
O encontro, claro, foi cheio de olhos molhados pela emoção e as gargalhadas muito características dos dois. Darlan é a cara de Cida. Até no jeito. Ela, expansiva, falante. Ele, elétrico, cheio de atitude. Tanto que, aos 21 anos, o jogador vem assumindo a posição de líder do time. Não podia ser diferente. Herdou da mãe desenvoltura e garra.
“”Eu sinceramente sempre soube que ele jogava bem, mas saber que ele ia estar representando o Brasil tão lindamente, achei que aconteceria, mas não agora, tão cedo. Eu fico, como mãe, meio assustada com meu filho. Mas é lindo demais, a gente ver que um filho que dizia, vou ser jogador, e é esforçado, dedicado, que sabe que consegue jogar bem”, derrama-se.
Dona Cida, que já ganhou o coração da torcida brasileira, nunca tinha saído do país. Ela foi convidada a surpreender o atleta numa ação do Clube de Férias, da Stella Barros Turismo, um dos patrocinadores do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). O filho Alan, que mora na Polônia e também joga pela seleção (mas não nesse Pan), foi quem ajudou nessa tarefa. “Eu não estava acreditando muito, não. Só quando a equipe apareceu na minha casa”, confessa Cida.
Ela chegou a Santiago no dia 1, um pouco depois de o Brasil vencer Cuba, passando em primeiro da chave e indo direto para a semi. Darlan, mais uma vez, foi o herói da partida. Quem a acompanha é a melhor amiga, Waldelice da Costa, moradora da Zona Sul do Rio, que muitas vezes deu de comer a Darlan, porque entre um treino e outro no Fluminense, onde ele jogou no juvenil, o menino não tinha como ir para casa, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, e mal tinha grana para o lanche.
A mãe de Darlan e Alan estará no jogo da semifinal e já avisa: “Sou barulhenta, falo a beça, se o juíz marca alguma coisa que acho errado, eu grito, xingo. se o Darlan é substituído pelo técnico, eu chamo a atenção dele. Não fico parada, não”, avisa.
O vôlei, ela diz, mudou por completo a vida da família: “Vou dizer uma coisa pra você, eu ganhei muito com o esporte na vida dos meus filhos. Não só no sentido financeiro. Mas no amadurecimento deles, o raciocínio, pensam de uma forma mais caprichosa, para resolver os problemas, estão sempre mais com a família. O esporte traz isso, a união”.
A professora conta que em casa tem lugar cativo para os troféus e medalhas de seus filhos campeões. “Não é pra me gabar não, mas tenho dois atletas da seleção brasileira em casa, né?! E tenho um móvel cheio de troféus e guardo em duas caixas, uma para cada um, as medalhas”, conta ela, que já tem planos para uma aguardada medalha de ouro do Pan 2023: “Não vou deixar o Darlan levar com ele, não. Vou querer pra mim! Um dia quero fazer um quadro com todas as medalhas dele e botar na parede; Vai ficar bonito, não vai?”. Vai, Dona Cida, vai ser lindo!

