Em busca de soluções para os problemas de enchentes no Rio Quitandinha, em Petrópolis, foi realizada nesta sexta-feira uma audiência pública na Câmara dos Vereadores da cidade da Região Serrana. A iniciativa, convocada pelo deputado estadual Yuri Moura, líder do Psol na Alerj, teve objetivo de fiscalizar e acompanhar as medidas para evitar a repetição de tragédias, como a que matou 235 moradores de Petrópolis no ano passado.
No encontro, foi apresentado um diagnóstico do atual quadro para o verão, com as informações fornecidas pelos órgãos responsáveis pela drenagem, dragagem e prevenção.
O deputado observou que a cidade possui um histórico longo de tragédias envolvendo as chuvas e consequentes inundações e alagamentos e que a falta de política de macrodrenagem atinge o Rio Quitandinha e interfere no Rio Palatinato, principalmente no encontro entre os rios que acontece na Rua do Imperador:
“O histórico problema não pode ser naturalizado pelos petropolitanos. Não podemos achar que é algo sem solução. São quase 2 anos desde a maior tragédia da história de Petrópolis e muito pouco foi entregue. Perdemos vidas e comerciantes tiveram muitos prejuízos. Falta ação efetiva por parte do governo municipal e também do governo do Estado, através do INEA (Instituto Estadual do Ambiente). Sempre que chove um pouco acima da média, o rio transborda. Não basta tirar areia de vez em quando em dragagem. Precisamos de soluções urbanas, em drenagem e quanto ao curso das águas. Precisamos de um projeto real”, disse o parlamentar.
Segundo especialistas, a deposição de sedimentos é algo natural e ocorre em todos os rios. A água perde velocidade e força e acaba não conseguindo carregar os sedimentos, que vão se acumulando, inclusive, em áreas de drenagem. Em rios urbanos isso se torna um problema maior, já que geralmente ocorre perda da faixa marginal e mudança de trajeto nos casos de rios canalizados, como muitos de Petrópolis. Todos esses fatores aumentam o volume de sedimentos que caem das margens e diminuem a vazão dos rios. Para além disso, a falta de vegetação e de curvatura, a impermeabilização do entorno e a excessiva ocupação urbana nas margens pioram a situação.
– Precisamos entender quais medidas vêm sendo adotadas pelos órgãos responsáveis e quais ainda precisam acontecer. O encontro servirá, inclusive, para que tenhamos clareza e transparência em relação ao projeto inscrito para o PAC Seleções, recurso solicitado pelo governo municipal após pressão do nosso mandato, sobre obras estruturais no Rio Quitandinha – afirma Yuri.
As tragédias ocorridas em Petrópolis nos meses de fevereiro e março de 2022, que deixaram 235 mortos e mais de 4.000 desalojados e desabrigados, revelaram a deficiência da macrodrenagem na cidade, em especial, dos rios Palatinato, Quitandinha e Piabanha. Há época, um ônibus da empresa Petro Ita foi levado pela correnteza, vitimando alguns passageiros, dentre eles, o jovem Gabriel Vila Real da Rocha. Leandro Rocha, pai de Gabriel, destacou a importância da audiência. Após a tragédia, ele criou o “Instituto Gabriel”, um instrumento de discussão de medidas de prevenção, além de uma homenagem ao filho pelo suporte dado às demais vítimas no momento da tragédia.
– É uma vitória esta audiência pública focada no Rio Quitandinha. Como eu, muitas pessoas enfrentaram perdas significativas em todos os sentidos, desde bens materiais até o aspecto mais devastador que é a perda de vidas, sonhos e esperança. Poderíamos ter evitado muitas dessas situações com um comprometimento maior do poder público. A cidade já está mapeada, com inúmeros pontos de risco, sendo um dos mais evidentes o alagamento do Rio Quitandinha – disse.
A audiência pública foi convocada através da Comissão Permanente de Assuntos Municipais e de Desenvolvimento Regional da Alerj. Contou com a presença do vereador Fred Procópio, presidente da Comissão Especial de Drenagem e Requalificação de Rios da Câmara Municipal de Petrópolis, além de representantes do Inea, secretarias estaduais e municipais, pesquisadores e movimentos populares.

